quarta-feira, 15 de julho de 2015

UMA EVOLUÇÃO DE IDAS E VINDAS

Lá, nos primórdios da caminhada humana, o pensamento via a mudança, o devir, o processo de nascimento e morte como a prova de que havia algo oculto, algo não captado pelos sentidos, alguma coisa que fazia o mundo girar e causar os ciclos de ascensão, de decadência e perecimento da vida.
As soluções apresentadas pelos primeiros filósofos não se sustentaram, mas algum retalho dessas interpretações primitivas permaneceu. Os seus sentidos viam as mudanças e o movimento passageiros das coisas e da vida, aí sentiram vertigens. Então imaginaram que por trás desse devir assustador havia uma base permanente e a essa base deram variados nomes. Criaram o dualismo do real versus ilusório. Mas eles erraram, talvez não de forma definitiva e terminal. De qualquer forma caminhavam, desconsiderando alguns desvios, na direção certa.
Tivessem eles os recursos adicionais aos sentidos que temos hoje, como o telescópio para perscrutar o espaço e os astros,  e o microscópio para observar o imensamente pequeno, chegariam a conclusão de que essa base estável, esse átomo aparentemente “indivisível” está presente em todas as coisas.
Impressiona-nos, no presente, o quão perto chegaram e ao mesmo tempo o quão frágeis eram esses conhecimentos. Bastou crescer o cristianismo, por um lado e o islamismo pelo outro para que todas as especulações e estudos fossem sepultados por mais de mil anos. O misticismo e a animismo voltou a predominar no mundo até que, com o enfraquecimento do monolítico poder papal, as catacumbas do conhecimento e da busca de respostas sem Deuses e sem magia, voltaram a ser abertas, lançando novas luzes sobre o conhecimento humano. Quantos por cento do que foi escrito na época áurea das especulações gregas chegaram até nós?  Durante quinhentos anos muitos,  homens e mulheres puderam estudar a natureza e a vida humana sem muitas restrições religiosas ou políticas. Por isso foram extremamente criativos. Foi uma época de liberdade para qualquer um exercitar seus neurônios, investigar a phisis e a polis, sem risco de ser apedrejado ou queimado em fogueiras de intolerâncias.
Mas quando a liberdade findou, encerrou-se um ciclo de descobertas e invenções incomparável.  Passado aquele tenebroso período, a liberdade voltou. Ressurgiu lentamente e com ela estabeleceu-se o movimento de resgate dos escritos da época fantástica do mundo grego. Deram a esse movimento o nome de “renascimento” expressão que revela, na exata medida, o que foi essa busca impressionante pelo conhecimento adormecido dos grandes pensadores do passado.

O renascimento forjou o sucessor, a era do “iluminismo”, quando o resgate dos conhecimentos quase perdidos atingiu seu apogeu. Terminava um período de trevas e iniciava a maior e mais fantástica revolução na vida humana que foi o predomínio do espírito de invenções tal como jamais havia ocorrido.