Abel Aquino
Estou imaginando uma sociedade em que todos os membros adultos plantam para seu sustento, cuidam e colhem seu própria alimento, fazem seus próprios utensílios e abrigos,
e, ainda, produzem algum excedente de troca. Num determinado momento parte dos membros dessa sociedade escolhe subtrair produtos de outros, em vez de produzi-los. Há uma reação de revolta entre os que foram roubados. Nesse momento alguns outros membros se prontificam a combater esses ladrões, desde que as vítimas estejam disposta a ceder uma parte de seus produtos do trabalho. Esse grupo se especializa em perseguir os larápios e em impedir, fazendo vigílias, o roubo. Temos agora dois grupos não produtivos, o dos ladrões e o dos guardiões. Se os guardiões vencerem essa guerra contra os ladrões, deixarão de ser necessários e terão de voltar para o setor produtivo da sociedade, ou seja, terão que produzir seu próprio alimento e com o suor do rosto. Mas, como já perderam essa habilidade e ficaram acostumados a viver de paga alheia, não lhes interessa acabar com os ladrões. Então o combate ao roubo é sempre parcial, controlado, de forma a criar uma dependência entre quem trabalha e quem vive de quem trabalha. A ética do ladrão, que também tem princípios, é de não roubar demais para não matar o produtor e, assim, ele próprio ter de produzir. Para o guardião, é preciso existir ladrão para que o produtor sinta a necessidade de que alguém o proteja.
Esse raciocínio pode ser estendido para as guerras entre nações. Basta, para isso, que a classe parasita convença a classe produtiva a ceder parte do que produz com seu trabalho, em troca de proteção contra a ameaça de outro povo,outra raça, outro estado. Essa ameaça pode ser real ou convenientemente inventada, pouco importa.
Quando o indivíduo é obrigado a se submete à vontade da sociedade – como se a sociedade pudesse ter vontade própria - vive numa ditadura. Quando a sociedade se subordina ao indivíduo o nome é tirania.
domingo, 15 de agosto de 2010
sábado, 10 de julho de 2010
PEDRAS ROLANDO
Abel Aquino
Quando rolo uma pedra da alto da montanha, na verdade, quando dou o primeiro impulso e movo a pedra de sua inércia, essa desce a ladeira à baixo, destruindo tudo o que está a sua frente. A primeira ação, a de iniciar a rolagem da pedra, dependeu de minha vontade, foi uma escolha minha. Depois que a pedra saiu de sua inércia e começou a rolar pelo efeito da gravidade, eu não poderia mais voltar a trás de minha ação. Sou capaz de imaginar as conseqüências do meus ato, mas só parcialmente.O estrago que ela causa não será inteiramente prevista pois pode desviar, nas irregularidades do terreno, para a esquerda ou para a direita, deslocar outras pedras e terminar numa avalanche.
No entanto o que aconteceu não foi mais obra minha mais obra da pedra; eu apenas desencadeei o processo.
Com nossas ações, resultantes de escolhas até certo ponto voluntárias e meio conscientes, geram outras ações e eventos inimagináveis sucessivamente e que não mais dependem de nossa vontade.
Quando rolo uma pedra da alto da montanha, na verdade, quando dou o primeiro impulso e movo a pedra de sua inércia, essa desce a ladeira à baixo, destruindo tudo o que está a sua frente. A primeira ação, a de iniciar a rolagem da pedra, dependeu de minha vontade, foi uma escolha minha. Depois que a pedra saiu de sua inércia e começou a rolar pelo efeito da gravidade, eu não poderia mais voltar a trás de minha ação. Sou capaz de imaginar as conseqüências do meus ato, mas só parcialmente.O estrago que ela causa não será inteiramente prevista pois pode desviar, nas irregularidades do terreno, para a esquerda ou para a direita, deslocar outras pedras e terminar numa avalanche.
No entanto o que aconteceu não foi mais obra minha mais obra da pedra; eu apenas desencadeei o processo.
Com nossas ações, resultantes de escolhas até certo ponto voluntárias e meio conscientes, geram outras ações e eventos inimagináveis sucessivamente e que não mais dependem de nossa vontade.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A CONFUSÃO ENTRE DIREITO E PRIVILÉGIO
Abel Aquino
Dentro da visão sociológica da pessoa comum, não sistematicamente jurídica, mas de bom senso, procuro perguntar: o que é direito?
Restringindo a pergunta, repito, o que é direito para mim?
Por exemplo, ouço falar muito no direito à moradia, e isso confunde minha cabeça. Ter direito à moradia significa que ninguém pode me impedir ou dificultar os meus esforços para conseguir casa própria para mim e minha família? Ou o direito a essa moradia, segundo o que ouço dizer, significa obrigação do estado? Se dar moradia ao povo é obrigação do estado, logo não é obrigação minha, portanto, não preciso poupar parte do dinheiro do meu salário para comprar uma casa. Mas me vem a seguinte questão, uma moradia envolve o trabalho de muitas pessoas, tais como engenheiro, pedreiro, encanador, pintor. Bem, dirão os defensores desse direito, o estado paga, o estado banca os custos da sua moradia e a de todos os pobres. Mas o estado não tem renda, como vai pagar? Esses mesmos defensores esclarecerão: o estado vai tirar dos ricos e remediados e dar aos pobres.
Penso que entendi: a afirmação é a de que o estado tira dinheiro dos que tem de sobra e, com esse recurso, banca o custo da construção de minha casa própria.
Mas o estado consegue tirar dinheiro dos ricos sem, com isso, afetar os próprios pobres?
Vamos raciocinar um pouco e perguntar: o rico não tem meios de repassar os custos dos impostos?
Imagino uma situação em que um grande industrial produz óleos, farinhas e massas e que, na hora de colocar preço, considera os impostos como custos somados aos outros custos. Portanto, eu, como pobre, na hora de comprar óleo ou macarrão, estou ao mesmo tempo pagando o imposto que o industrial deve recolher. Na realidade, quem está pagando imposto somos nós da classe mais baixa. Portanto, a minha casa, que o estado tem obrigação de me dar quase sem custos, está, através de uma triangulação complicada, sendo paga por mim mesmo na qualidade de consumidor.
Mas por que criaram essa lei de direito que obriga o estado a arrecadar imposto e fazer caixa para financiar minha moradia?
Se estou raciocinando corretamente, imposto gera custos e esses custos são diluído para toda a sociedade; qual a conseqüência disso?
Vou tentar analisar como funcionam algumas leis econômicas. O custo para se produzir alguma coisa, somado ao lucro do fabricante, vai compor o preço final do produto. Como meu salário é fixo, não elástico, seu poder de compra está diretamente ligado aos preços dos produtos de que necessito para viver eu e minha família, logo o imposto afeta a minha capacidade de compra. A conclusão que chego é que o imposto me faz mais pobre do normalmente seria. Então, que vantagem obtenho acreditando que os políticos são um bom intermediário entre mim e minha casa própria? Os defensores desse direito sem contrapartida, poderão alegar, imagino, que os custos estarão diluídos pela sociedade toda e me esforçarei menos para ter a casa própria, ou seja os custos serão repartidos, de forma indolor, com toda a sociedade. Acontece que o pobre é, essencialmente, um consumidor de produtos básicos.
Já para o rico ou para a alta classe média os produtos básicos tem peso insignificante no seu custo de vida. Logo, proporcionalmente eu, como pobre, pago mais imposto que o rico. A conclusão que chego é que o estado, - no caso os políticos - faz todos os pobres mais pobre para, com isso, distribuir facilidades a esses mesmos pobres. Nessa hora vem-me à mente a questão ética que diz que todo recurso que eu obtenho só é legitimo se for conquistado com trabalho honesto.
No caso do direito à moradia, os políticos estão passando a idéia de que é possível aliviar meus esforços de busca de renda ou de poupança para conseguir bens. E a forma escolhida para isso é distribuir a carga por toda a sociedade. Acaba estabelecendo uma contradição, a saber, todos trabalham um pouco mais para que individualmente um ou outro tenha sua morada própria com menos trabalho. Acho que ninguém acredito que o estado poderá, um dia, dar casa própria para todos os que precisam.
A comparação com a loteria é inevitável: se João ganha uma bolada é porque milhares de outros jogadores perderam alguma soma. Como essa perda é pequena todo o mundo a suporta, compensada pela fantasia de algum dia chegar a sua vez.
Como vivemos num sistema político que eu classificaria como mera democracia de voto, qualquer político sensato vai estar sempre querendo agradar o eleitor e quanto mais imediato for esse agrado mais garantia terá o político de voto do pobre.
Será, então, que o estado intervém no sistema de moradias apenas para ter votos?
Na realidade os políticos terão mais que meu voto; terão meu agradecimento, terão minha dependência que, imagino, é a característica mais importante de todo esse processo. Qualquer cidadão observador percebe que tudo o que o político quer é ter o povo dependente, a sociedade crente na necessidade de um estado tipo paizão, quebra galho geral, tanto dos pobres quanto dos espertos.
Em realidade, pelo que se vê, mais propenso a beneficiar aos espertalhões do que aos singelos membros da classe inferior. Quando damos uma olhada na imensa montanha de dinheiro que o governo arrecada de forma obrigatória e arbitrária, vemos que a parte que volta para o pobre é insignificante, fazendo mais o papel de remédio contra a dor de consciência do que de retorno efetivo a quem de direito.
Dentro da visão sociológica da pessoa comum, não sistematicamente jurídica, mas de bom senso, procuro perguntar: o que é direito?
Restringindo a pergunta, repito, o que é direito para mim?
Por exemplo, ouço falar muito no direito à moradia, e isso confunde minha cabeça. Ter direito à moradia significa que ninguém pode me impedir ou dificultar os meus esforços para conseguir casa própria para mim e minha família? Ou o direito a essa moradia, segundo o que ouço dizer, significa obrigação do estado? Se dar moradia ao povo é obrigação do estado, logo não é obrigação minha, portanto, não preciso poupar parte do dinheiro do meu salário para comprar uma casa. Mas me vem a seguinte questão, uma moradia envolve o trabalho de muitas pessoas, tais como engenheiro, pedreiro, encanador, pintor. Bem, dirão os defensores desse direito, o estado paga, o estado banca os custos da sua moradia e a de todos os pobres. Mas o estado não tem renda, como vai pagar? Esses mesmos defensores esclarecerão: o estado vai tirar dos ricos e remediados e dar aos pobres.
Penso que entendi: a afirmação é a de que o estado tira dinheiro dos que tem de sobra e, com esse recurso, banca o custo da construção de minha casa própria.
Mas o estado consegue tirar dinheiro dos ricos sem, com isso, afetar os próprios pobres?
Vamos raciocinar um pouco e perguntar: o rico não tem meios de repassar os custos dos impostos?
Imagino uma situação em que um grande industrial produz óleos, farinhas e massas e que, na hora de colocar preço, considera os impostos como custos somados aos outros custos. Portanto, eu, como pobre, na hora de comprar óleo ou macarrão, estou ao mesmo tempo pagando o imposto que o industrial deve recolher. Na realidade, quem está pagando imposto somos nós da classe mais baixa. Portanto, a minha casa, que o estado tem obrigação de me dar quase sem custos, está, através de uma triangulação complicada, sendo paga por mim mesmo na qualidade de consumidor.
Mas por que criaram essa lei de direito que obriga o estado a arrecadar imposto e fazer caixa para financiar minha moradia?
Se estou raciocinando corretamente, imposto gera custos e esses custos são diluído para toda a sociedade; qual a conseqüência disso?
Vou tentar analisar como funcionam algumas leis econômicas. O custo para se produzir alguma coisa, somado ao lucro do fabricante, vai compor o preço final do produto. Como meu salário é fixo, não elástico, seu poder de compra está diretamente ligado aos preços dos produtos de que necessito para viver eu e minha família, logo o imposto afeta a minha capacidade de compra. A conclusão que chego é que o imposto me faz mais pobre do normalmente seria. Então, que vantagem obtenho acreditando que os políticos são um bom intermediário entre mim e minha casa própria? Os defensores desse direito sem contrapartida, poderão alegar, imagino, que os custos estarão diluídos pela sociedade toda e me esforçarei menos para ter a casa própria, ou seja os custos serão repartidos, de forma indolor, com toda a sociedade. Acontece que o pobre é, essencialmente, um consumidor de produtos básicos.
Já para o rico ou para a alta classe média os produtos básicos tem peso insignificante no seu custo de vida. Logo, proporcionalmente eu, como pobre, pago mais imposto que o rico. A conclusão que chego é que o estado, - no caso os políticos - faz todos os pobres mais pobre para, com isso, distribuir facilidades a esses mesmos pobres. Nessa hora vem-me à mente a questão ética que diz que todo recurso que eu obtenho só é legitimo se for conquistado com trabalho honesto.
No caso do direito à moradia, os políticos estão passando a idéia de que é possível aliviar meus esforços de busca de renda ou de poupança para conseguir bens. E a forma escolhida para isso é distribuir a carga por toda a sociedade. Acaba estabelecendo uma contradição, a saber, todos trabalham um pouco mais para que individualmente um ou outro tenha sua morada própria com menos trabalho. Acho que ninguém acredito que o estado poderá, um dia, dar casa própria para todos os que precisam.
A comparação com a loteria é inevitável: se João ganha uma bolada é porque milhares de outros jogadores perderam alguma soma. Como essa perda é pequena todo o mundo a suporta, compensada pela fantasia de algum dia chegar a sua vez.
Como vivemos num sistema político que eu classificaria como mera democracia de voto, qualquer político sensato vai estar sempre querendo agradar o eleitor e quanto mais imediato for esse agrado mais garantia terá o político de voto do pobre.
Será, então, que o estado intervém no sistema de moradias apenas para ter votos?
Na realidade os políticos terão mais que meu voto; terão meu agradecimento, terão minha dependência que, imagino, é a característica mais importante de todo esse processo. Qualquer cidadão observador percebe que tudo o que o político quer é ter o povo dependente, a sociedade crente na necessidade de um estado tipo paizão, quebra galho geral, tanto dos pobres quanto dos espertos.
Em realidade, pelo que se vê, mais propenso a beneficiar aos espertalhões do que aos singelos membros da classe inferior. Quando damos uma olhada na imensa montanha de dinheiro que o governo arrecada de forma obrigatória e arbitrária, vemos que a parte que volta para o pobre é insignificante, fazendo mais o papel de remédio contra a dor de consciência do que de retorno efetivo a quem de direito.
terça-feira, 23 de março de 2010
SOBRE PAIS, FILHOS E TRABALHO
Abel Aquino
Meu pai, que é missionário protestante, contou-me a curiosa história de sua visita a uma família, moradora da zona rural. Quando se aproximava da casa, passando de carro pela estrada que atravessava a lavoura viu o homem de pé no meio da plantação. Meu pai parou o carro, desceu e foi ao encontro do homem. Quando o homem o reconheceu, abriu um largo sorriso e o cumprimentou muito alegre, depois deu um forte assobio e três garotos surgiram do meio do mato; eram seus filhos de 15, 14 e 13 anos. Meu pai olhou-o, sem entender o que estava acontecendo. Então o homem explicou que, quando viu o carro se aproximando, pensou que fosse o fiscal da secretaria do trabalho e, rapidamente, mandou os filhos se esconderem. O fiscal do estado poderia multa-lo, no mínimo passar-lhe uma dura reprimenda por estar fazendo seus filhos, menores de idade, trabalharem.
Esse incidente faz –me lembrar de que ainda não nos livramos de certos tipos de controles sociais que a maioria de nossos teóricos políticos insiste em que dizer que foram extintos no fim da idade média. Nossa vida privada continua sendo controlada, na verdade policiada por um aparelho estatal que se considera saber mais do que é bom para os filhos do que os próprios pais. Por que a sociedade que se submete passivamente ao um estado que se impõe como pai de nossos filhos, que, não só nos tira a missão de educar, como nos anula, nos tolhe, nos rebaixa perante nossos rebentos, mas, não nos substitui, pois o estado não unipresente, desconhece o cotidiano de cada família, embora sempre presente na coerção, na condenação?
Eu pergunto: o que está por trás dessa lei que proíbe os pais de darem trabalho a seus filhos?
Em primeiro lugar precisamos descobrir os grupos que tem influência política capaz de elaborar esse tipo de lei e aprová-la com base apenas em boas intenções. Desconheço movimento popular para pedir leis nesse sentido. Desconheço pesquisas revelando anseio espontâneo dos cidadãos, clamando pela intervenção do estado na vida particular de cada casal.
Depois que a lei foi aprovada, diante da carga enorme de divulgação, patrocinada pela mídia, na maioria das vezes, portavoz dos políticos, e diante da exaltação dos possíveis benefícios, sem sequer citar um malefício, é possível que o povo tenha aceitado tal lei.
Ninguém ponderou sobre os efeitos indesejáveis desse tipo de intervenção estatal na vida particular de pais e filhos.
Quantos pais, nesse imenso país são exploradores de seus próprios filhos? Quantos pais, repito, nesse imenso país, poderiam ser considerados maus pais? Qual a porcentagem? Alguém fez esse levantamento? Algum tipo de estudo?
Qualquer cidadão, com bom senso, sabe que existem pais que, por uma razão ou outra, não poderiam ser pais. Mas cabe, aqui, a pergunta: à partir de quantos por cento de maus pais justifica-se a criação de uma lei que interfira arbitrariamente na vida de todas a famílias desse país?
Parece que nada disso foi levado em conta pelos legisladores. A única justificativa para a criação dessa lei foi a de que, por princípio, uma boa intenção é suficiente. Diante das chocantes imagens de crianças de 5, 6 ou 7 anos trabalhando numa carvoaria num fundão perdido desse país, nossos nobres e impolutos políticos resolveram, tomados por um espírito de puro humanismo, premiar todos os pais, não importando quem são bons pais, pais regulares ou pais péssimos, com uma lei que limita, deforma seu papel de primeiro educador dos filhos e entrega ao estado a missão que, naturalmente seria sua, de determinar quando o filho pode trabalhar, ou melhor, quando o filho poderá aprender que o trabalho é o único meio honesto de ganhar a vida. Bem, honestidade é uma palavra bastante maltratada pelos políticos.
Diz o ditado popular que de boas intenções o inferno está cheio. No nosso caso, falando do Brasil especificamente, haverá superlotação do inverno, porque estamos cheio de gente coberta de boas intenções. Nossos políticos fazem barbaridades e se postam de benfeitores do povo.
Mas, volto a insistir na necessidade de identificar a mentalidade que está por trás dessa lei. Baseando na premissa de que as leis refletem a natureza de um povo, a maneira como uma maioria, uma classe determinante vê o mundo, interpreta a sociedade, poderemos descobrir o que está por trás dos elaboradores do Estatuto da Criança e do Adolescente. Esse estatuto é uma excrescência totalitária, um resquício dos piores regimes de submissão da sociedade, responsáveis por terríveis morticínios, daqueles que lutamos para nos livrar, mas insistem em estar presente em nossas vidas através do estado camuflado de protetor, de pai do povo, de defensor do mais fraco. Falo, principalmente, do nazismo e do fascismo.
Admito que nosso povo tem um fascínio por modelos de estados que preservem os aspectos totalitários desses regimes. Até mesmo os intelectuais, impregnados por ideologias românticas, defendem regimes totalitários, enfeitados por discursos de igualdade, justiça e proteção dos pobres. Na verdade, nossos políticos e seus aliados, os acadêmicos, parece considerar a sociedade como monte indiferenciados de gente desorientada, indiciplinada e de pessoas inimigas umas das outras. Para eles a ordem da sociedade só existe quando há um estado unipotente acima dela. Para esses neofascistas, o estado tem a missão de tirar a sociedade do caos, de estabelecer o papel social de cada individuo, de orientar as forças sociais e produtivas numa direção conveniente, de proteger cada cidadão de outro cidadão, de evitar as injustiças, de abolir as desigualdades naturais e artificiais, de tirar o fruto do trabalho de uns e dar a outros, com a justificativa de fazer caridade ou de fazer compensações. O pior é que essa mentalidade é predominante em nosso país.
Temos grupos socialistas-esquerdistas que são protofascistas por convicção ideológicas, temos os populistas que aproveitam da informação de que agradar a segmentos sociais ganha votos, temos os conservadores que imaginam uma sociedade hierarquizada e ordenada por uma elite superior e temos uma grande massa de gente sem opinião própria e com tendência a pender para o lado vencedor na batalha de idéias e formas de governo. O que quase não temos é o amor à liberdade, é a convicção de que uma sociedade saudável caminha para a preservação da autonomia do indivíduo, a convicção de que é a ausência de amarras ideológicas, religiosas, culturais e ou estatais - liberando a criatividade humana em todos os níveis - que garante a viagem pelo caminho da prosperidade e da felicidade.
Meu pai, que é missionário protestante, contou-me a curiosa história de sua visita a uma família, moradora da zona rural. Quando se aproximava da casa, passando de carro pela estrada que atravessava a lavoura viu o homem de pé no meio da plantação. Meu pai parou o carro, desceu e foi ao encontro do homem. Quando o homem o reconheceu, abriu um largo sorriso e o cumprimentou muito alegre, depois deu um forte assobio e três garotos surgiram do meio do mato; eram seus filhos de 15, 14 e 13 anos. Meu pai olhou-o, sem entender o que estava acontecendo. Então o homem explicou que, quando viu o carro se aproximando, pensou que fosse o fiscal da secretaria do trabalho e, rapidamente, mandou os filhos se esconderem. O fiscal do estado poderia multa-lo, no mínimo passar-lhe uma dura reprimenda por estar fazendo seus filhos, menores de idade, trabalharem.
Esse incidente faz –me lembrar de que ainda não nos livramos de certos tipos de controles sociais que a maioria de nossos teóricos políticos insiste em que dizer que foram extintos no fim da idade média. Nossa vida privada continua sendo controlada, na verdade policiada por um aparelho estatal que se considera saber mais do que é bom para os filhos do que os próprios pais. Por que a sociedade que se submete passivamente ao um estado que se impõe como pai de nossos filhos, que, não só nos tira a missão de educar, como nos anula, nos tolhe, nos rebaixa perante nossos rebentos, mas, não nos substitui, pois o estado não unipresente, desconhece o cotidiano de cada família, embora sempre presente na coerção, na condenação?
Eu pergunto: o que está por trás dessa lei que proíbe os pais de darem trabalho a seus filhos?
Em primeiro lugar precisamos descobrir os grupos que tem influência política capaz de elaborar esse tipo de lei e aprová-la com base apenas em boas intenções. Desconheço movimento popular para pedir leis nesse sentido. Desconheço pesquisas revelando anseio espontâneo dos cidadãos, clamando pela intervenção do estado na vida particular de cada casal.
Depois que a lei foi aprovada, diante da carga enorme de divulgação, patrocinada pela mídia, na maioria das vezes, portavoz dos políticos, e diante da exaltação dos possíveis benefícios, sem sequer citar um malefício, é possível que o povo tenha aceitado tal lei.
Ninguém ponderou sobre os efeitos indesejáveis desse tipo de intervenção estatal na vida particular de pais e filhos.
Quantos pais, nesse imenso país são exploradores de seus próprios filhos? Quantos pais, repito, nesse imenso país, poderiam ser considerados maus pais? Qual a porcentagem? Alguém fez esse levantamento? Algum tipo de estudo?
Qualquer cidadão, com bom senso, sabe que existem pais que, por uma razão ou outra, não poderiam ser pais. Mas cabe, aqui, a pergunta: à partir de quantos por cento de maus pais justifica-se a criação de uma lei que interfira arbitrariamente na vida de todas a famílias desse país?
Parece que nada disso foi levado em conta pelos legisladores. A única justificativa para a criação dessa lei foi a de que, por princípio, uma boa intenção é suficiente. Diante das chocantes imagens de crianças de 5, 6 ou 7 anos trabalhando numa carvoaria num fundão perdido desse país, nossos nobres e impolutos políticos resolveram, tomados por um espírito de puro humanismo, premiar todos os pais, não importando quem são bons pais, pais regulares ou pais péssimos, com uma lei que limita, deforma seu papel de primeiro educador dos filhos e entrega ao estado a missão que, naturalmente seria sua, de determinar quando o filho pode trabalhar, ou melhor, quando o filho poderá aprender que o trabalho é o único meio honesto de ganhar a vida. Bem, honestidade é uma palavra bastante maltratada pelos políticos.
Diz o ditado popular que de boas intenções o inferno está cheio. No nosso caso, falando do Brasil especificamente, haverá superlotação do inverno, porque estamos cheio de gente coberta de boas intenções. Nossos políticos fazem barbaridades e se postam de benfeitores do povo.
Mas, volto a insistir na necessidade de identificar a mentalidade que está por trás dessa lei. Baseando na premissa de que as leis refletem a natureza de um povo, a maneira como uma maioria, uma classe determinante vê o mundo, interpreta a sociedade, poderemos descobrir o que está por trás dos elaboradores do Estatuto da Criança e do Adolescente. Esse estatuto é uma excrescência totalitária, um resquício dos piores regimes de submissão da sociedade, responsáveis por terríveis morticínios, daqueles que lutamos para nos livrar, mas insistem em estar presente em nossas vidas através do estado camuflado de protetor, de pai do povo, de defensor do mais fraco. Falo, principalmente, do nazismo e do fascismo.
Admito que nosso povo tem um fascínio por modelos de estados que preservem os aspectos totalitários desses regimes. Até mesmo os intelectuais, impregnados por ideologias românticas, defendem regimes totalitários, enfeitados por discursos de igualdade, justiça e proteção dos pobres. Na verdade, nossos políticos e seus aliados, os acadêmicos, parece considerar a sociedade como monte indiferenciados de gente desorientada, indiciplinada e de pessoas inimigas umas das outras. Para eles a ordem da sociedade só existe quando há um estado unipotente acima dela. Para esses neofascistas, o estado tem a missão de tirar a sociedade do caos, de estabelecer o papel social de cada individuo, de orientar as forças sociais e produtivas numa direção conveniente, de proteger cada cidadão de outro cidadão, de evitar as injustiças, de abolir as desigualdades naturais e artificiais, de tirar o fruto do trabalho de uns e dar a outros, com a justificativa de fazer caridade ou de fazer compensações. O pior é que essa mentalidade é predominante em nosso país.
Temos grupos socialistas-esquerdistas que são protofascistas por convicção ideológicas, temos os populistas que aproveitam da informação de que agradar a segmentos sociais ganha votos, temos os conservadores que imaginam uma sociedade hierarquizada e ordenada por uma elite superior e temos uma grande massa de gente sem opinião própria e com tendência a pender para o lado vencedor na batalha de idéias e formas de governo. O que quase não temos é o amor à liberdade, é a convicção de que uma sociedade saudável caminha para a preservação da autonomia do indivíduo, a convicção de que é a ausência de amarras ideológicas, religiosas, culturais e ou estatais - liberando a criatividade humana em todos os níveis - que garante a viagem pelo caminho da prosperidade e da felicidade.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
DE PASTOS E REBANHOS
Estava viajando por uma estrada poeirenta e cheia de curvas, acompanhando as partes mais altas dos morros. De ambos os lados do caminho o terreno era inclinando e coberto de pasto. Lá no fundo do vale havia mata escondendo o rio. A visão era muito ampla e com o sol forte eu tinha a sensação de estar no meio de um vasto horizonte; o pasto pontilhado por gado branco, vacas touros e bezerros, limitados por cercas e ravinas. Mais adiante encontramos uma cobertura de telha, estrutura de madeira rústica e um enorme coxo cheio de sal. A roda do cocho a terra estava batida e coberta de excrementos do gado. Um homem espalhava o sol ao longo do coxo. Umas duas dezenas de vacas observavam o homem espalhar o sal e começara a andar na sua direção. Era um gado gordo e bem saudável.
É admirável o cuidado com que esses fazendeiros lidam com seu gado. Formam pastos vigorosos, constroem cercas para limitar seus deslocamentos, desviam córregos para oferecer-lhes água fresca, instalam coxos para alimenta-los com sal e ração balanceada.
Aplicam vacinas, combatem os parasitas e curam suas feridas. No final, depois de adultos e gordos são mortos e viram alimentos para o ser humano.
Lembrei-me de que muitos políticos vêem a sociedade assim, como uma espécie de rebanho domesticado, o qual precisa ser cuidado, seus deslocamentos limitados por cercas de leis e regulamentos, sua água servida, suas doenças curadas e periodicamente vacinado para que possa servi-los, pagar religiosamente impostos pesados e garantir a cada político uma vida segura e despreocupada das incertezas do mundo. Assim como o gado não tem consciência de que está sendo bem tratado para, no futuro, servir de alimento para os seres humanos, o povo não percebe que vive para servir aos seus senhores. O sistema educacional, a mídia, a impressa, os telejornais são veículos de convencimentos e reforço de que o rebanho precisa dos políticos, de que os políticos cuidam de cada cidadão, de que o Estado existe para proteger o fraco do abuso do forte, o pobre da maldade do rico, o ingênuo da esperteza do larápio. Enquanto o povo tiver a natureza do rebanho, haverá um Estado papai e políticos parasitas. Enquanto o povo acreditar que precisa de um Estado caro, perdulário, corrupto e incompetente, vai pagar para viver de promessa de que tudo vai melhorar, de que vai acabar com a violência, de que vai distribuir riqueza para todo mundo, independente do esforço de cada um, de que vai acabar com o tráfico de drogas, com a violência domestica, com o roubo, com o assassinato de rua, com a exploração de uns pelos outros. Dessa forma, enquanto o povo viver de esperança e de crença nesse Estado ideal do futuro distante, vai continuar existindo um sistema políticos podre, caro, perdulário, corrupto e uma elite política usufruído de tudo o que e de bom e luxuoso que a vida privilegiada pode dar.
É admirável o cuidado com que esses fazendeiros lidam com seu gado. Formam pastos vigorosos, constroem cercas para limitar seus deslocamentos, desviam córregos para oferecer-lhes água fresca, instalam coxos para alimenta-los com sal e ração balanceada.
Aplicam vacinas, combatem os parasitas e curam suas feridas. No final, depois de adultos e gordos são mortos e viram alimentos para o ser humano.
Lembrei-me de que muitos políticos vêem a sociedade assim, como uma espécie de rebanho domesticado, o qual precisa ser cuidado, seus deslocamentos limitados por cercas de leis e regulamentos, sua água servida, suas doenças curadas e periodicamente vacinado para que possa servi-los, pagar religiosamente impostos pesados e garantir a cada político uma vida segura e despreocupada das incertezas do mundo. Assim como o gado não tem consciência de que está sendo bem tratado para, no futuro, servir de alimento para os seres humanos, o povo não percebe que vive para servir aos seus senhores. O sistema educacional, a mídia, a impressa, os telejornais são veículos de convencimentos e reforço de que o rebanho precisa dos políticos, de que os políticos cuidam de cada cidadão, de que o Estado existe para proteger o fraco do abuso do forte, o pobre da maldade do rico, o ingênuo da esperteza do larápio. Enquanto o povo tiver a natureza do rebanho, haverá um Estado papai e políticos parasitas. Enquanto o povo acreditar que precisa de um Estado caro, perdulário, corrupto e incompetente, vai pagar para viver de promessa de que tudo vai melhorar, de que vai acabar com a violência, de que vai distribuir riqueza para todo mundo, independente do esforço de cada um, de que vai acabar com o tráfico de drogas, com a violência domestica, com o roubo, com o assassinato de rua, com a exploração de uns pelos outros. Dessa forma, enquanto o povo viver de esperança e de crença nesse Estado ideal do futuro distante, vai continuar existindo um sistema políticos podre, caro, perdulário, corrupto e uma elite política usufruído de tudo o que e de bom e luxuoso que a vida privilegiada pode dar.
domingo, 27 de dezembro de 2009
SOCIEDADE VIGIADA
Abel Aquino
Um equívoco perpetuado tanto pelos ideólogos da direita conservadora quanto pelos da esquerda é o de dar, ao Estado, papel central no processo civilizatório.
Para eles uma sociedade sem um poder central acima dos poderes individuais, de família, de grupos ou de prestígio, é uma sociedade condenada a incivilidade.
Não poderia ser exatamente o contrario
O Estado parece ser o resultado de um processo evolutivo da sociedade que por sua vez distorce a sociedade, limita-a, molda-a, atrofia-a e por fim a faz mover em círculos.
O Estado foi criado para satisfazer os anseios da sociedade por ordem, justiça, paz ou mesmo liberdade do povo e ao mesmo tempo para sustentar uma elite, uma família real, um grupo guerreiro. Mas, a sociedade precede ao Estado. Quando por razões históricas, o Estado precede à sociedade, temos o estatismo.
Nessas sociedades, o processo evolutivo da sociedade fica comprometido, sua sequência é quebrada, as experiências comunitárias de organização e de auto-governo tornam-se erráticas, reprimidas em face do peso de uma força maior e quase sempre repressora do Estado unipresente.
Podemos dizer que a concepção que temos de Estado, em nosso país, é a Hobbessiana, de um poder central necessário para tirar o ser humano do estado natural, esse necessariamente anti-social e egoísta, para lançá-lo na sociedade da ordem e das leis.
Não seria essa concepção exatamente a que torna o Estado, por natureza, opressor.
Nada comprova que o ser humano possui uma natureza selvagem por assim dizer, incapaz de, sem um poder superior, de conviver com seus semelhantes em paz.
Rousseau pensava exatamente o contrario. O ser humano, no estado natural, era puro e pacífico, foi a sociedade que o perverteu.
E se considerarmos que o ser humano não é nem santo nem demônio. O ser humano pode ser o resultado de uma longa evolução biológica, combinada com educação transmitida de uma geração a outra. Na base de seu comportamento existem instintos de sobrevivência em que se apóiam os comportamentos que a sociedade convencionou chamar de “egoísmo, individualismo, ganância, crueldade, indiferença” etc.
Podemos perfeitamente criar uma sociedade pacifica e ordeira apenas com educação, respeito aos instintos e aplicando a coerção de forma seletivamente, ou seja aos indivíduos que causarem danos a outrem ou a sociedade como um todo.
A sociedade pode criar um pacto de convívio consensualmente estabelecido criando leis e normas não restritivas, ou seja, leis que especificam apenas o que não se pode fazer.
Nossas leis são procuram regular a vida humana nos seus mínimos detalhes, estabelecem regras de comportamentos, determinam como devermos nos relacionar e penalizam quem não obedece a essas leis. Quer dizer que essas leis dependem de poder de controle, de um exercito fiscalizador. O tipo de leis que temos exige um Estado policial.
Esse modelo de Estado não dá importância a educação, no sentido de transmissão de uma geração a outra das regras de bom comportamento. O modelo tradicional de Estado substitui a educação pela regulamentação.
Um exemplo da diferença entre as duas concepções está nas regras de transito: Para dirigir um carro os nossos instintos não nos servem quase para nada, porque ainda não temos em nossa genética reações automáticas ao perigo de dirigir, por exemplo, em alta velocidade. O Estado tradicional procura dificultar ao máximo o acesso das pessoas ao volante de um carro, e, quando o cidadão consegue essa licença, precisa estar permanentemente atento a uma infindável lista de regras e regulamentos de como dirigir. Dessa forma as miríades de regulamentações e restrições exigem uma vigilância permanente do agente estatal.
Mas, tudo poderia ser diferente. Penalizar quem causa acidentes de maneira severa e eficiente mandaria para a sociedade a mensagem de que é preciso dirigir com prudência e competência.. As pessoas sairiam às ruas dirigindo um carro somente se tivessem certeza de ter habilidade suficiente para dirigir sem causar acidentes.
Mas não é isso o que acontece com nosso modelo de estado policial. Ele castiga quem quer dirigir e não penaliza com severidade quem causa dano a terceiros. O Estado cria uma via crusis para quem quer ter o direito de dirigir um carro e não cuida suficientemente de penalizar o causador de acidentes. Portanto o estado policial é em essência um estado burocrático.
A questão não é lutar contra a existencia do Estado. Expressando de outra forma, nosso problema não está na existência do Estado. O problema é que consideramos o Estado uma entidade impessoal ou mesmo acima dos indivíduos, pairando no ar sobre as cabeças dos cidadãos. Ora! Esse estado não existe! Toda ação estatal é executada por pessoas em nome do Estado. Na verdade poderiamos dividir um determinado território em Estado e Governo. Estado seria a nação, os costumes, as leis, as estruturas físicas, os bens públicos. Governo seria os recursos humanos do Estado, os individuos que põem a estrutura do Estado em funcionamento. O problema é que as pessoas que são contratadas ou mesmo eleitas para dirigir o Estado, tomam posse do mesmo como se fosse proprieade particular, dirigem o Estado, moldam suas regras e leis em benefício próprio e não em função do bem estar do povo.
Por isso, não faz sentido algum ser contra o Estado ou discutir qual é o tamanho ideal do Estado, se não questionarmos os mecanismos de Governo, as formas de como se constituiem governos e a burocracia que dirigi o Estado.
São pessoas que coagem os cidadãos e não o Estado. Não importam muito leis e normas de ação criadas para limitar as pessoas. O governo é composto de pessoas humanas com poder de dirigir o Estado. Quando se considera o Estado acima da sociedade, o resultado é que todo aquele que detem o poder estatal se sentirá da mesma forma acima dos cidadãos, portanto aptos para agir de maneira arbitrária, ou impositiva sobre os membro da sociedade.
Um equívoco perpetuado tanto pelos ideólogos da direita conservadora quanto pelos da esquerda é o de dar, ao Estado, papel central no processo civilizatório.
Para eles uma sociedade sem um poder central acima dos poderes individuais, de família, de grupos ou de prestígio, é uma sociedade condenada a incivilidade.
Não poderia ser exatamente o contrario
O Estado parece ser o resultado de um processo evolutivo da sociedade que por sua vez distorce a sociedade, limita-a, molda-a, atrofia-a e por fim a faz mover em círculos.
O Estado foi criado para satisfazer os anseios da sociedade por ordem, justiça, paz ou mesmo liberdade do povo e ao mesmo tempo para sustentar uma elite, uma família real, um grupo guerreiro. Mas, a sociedade precede ao Estado. Quando por razões históricas, o Estado precede à sociedade, temos o estatismo.
Nessas sociedades, o processo evolutivo da sociedade fica comprometido, sua sequência é quebrada, as experiências comunitárias de organização e de auto-governo tornam-se erráticas, reprimidas em face do peso de uma força maior e quase sempre repressora do Estado unipresente.
Podemos dizer que a concepção que temos de Estado, em nosso país, é a Hobbessiana, de um poder central necessário para tirar o ser humano do estado natural, esse necessariamente anti-social e egoísta, para lançá-lo na sociedade da ordem e das leis.
Não seria essa concepção exatamente a que torna o Estado, por natureza, opressor.
Nada comprova que o ser humano possui uma natureza selvagem por assim dizer, incapaz de, sem um poder superior, de conviver com seus semelhantes em paz.
Rousseau pensava exatamente o contrario. O ser humano, no estado natural, era puro e pacífico, foi a sociedade que o perverteu.
E se considerarmos que o ser humano não é nem santo nem demônio. O ser humano pode ser o resultado de uma longa evolução biológica, combinada com educação transmitida de uma geração a outra. Na base de seu comportamento existem instintos de sobrevivência em que se apóiam os comportamentos que a sociedade convencionou chamar de “egoísmo, individualismo, ganância, crueldade, indiferença” etc.
Podemos perfeitamente criar uma sociedade pacifica e ordeira apenas com educação, respeito aos instintos e aplicando a coerção de forma seletivamente, ou seja aos indivíduos que causarem danos a outrem ou a sociedade como um todo.
A sociedade pode criar um pacto de convívio consensualmente estabelecido criando leis e normas não restritivas, ou seja, leis que especificam apenas o que não se pode fazer.
Nossas leis são procuram regular a vida humana nos seus mínimos detalhes, estabelecem regras de comportamentos, determinam como devermos nos relacionar e penalizam quem não obedece a essas leis. Quer dizer que essas leis dependem de poder de controle, de um exercito fiscalizador. O tipo de leis que temos exige um Estado policial.
Esse modelo de Estado não dá importância a educação, no sentido de transmissão de uma geração a outra das regras de bom comportamento. O modelo tradicional de Estado substitui a educação pela regulamentação.
Um exemplo da diferença entre as duas concepções está nas regras de transito: Para dirigir um carro os nossos instintos não nos servem quase para nada, porque ainda não temos em nossa genética reações automáticas ao perigo de dirigir, por exemplo, em alta velocidade. O Estado tradicional procura dificultar ao máximo o acesso das pessoas ao volante de um carro, e, quando o cidadão consegue essa licença, precisa estar permanentemente atento a uma infindável lista de regras e regulamentos de como dirigir. Dessa forma as miríades de regulamentações e restrições exigem uma vigilância permanente do agente estatal.
Mas, tudo poderia ser diferente. Penalizar quem causa acidentes de maneira severa e eficiente mandaria para a sociedade a mensagem de que é preciso dirigir com prudência e competência.. As pessoas sairiam às ruas dirigindo um carro somente se tivessem certeza de ter habilidade suficiente para dirigir sem causar acidentes.
Mas não é isso o que acontece com nosso modelo de estado policial. Ele castiga quem quer dirigir e não penaliza com severidade quem causa dano a terceiros. O Estado cria uma via crusis para quem quer ter o direito de dirigir um carro e não cuida suficientemente de penalizar o causador de acidentes. Portanto o estado policial é em essência um estado burocrático.
A questão não é lutar contra a existencia do Estado. Expressando de outra forma, nosso problema não está na existência do Estado. O problema é que consideramos o Estado uma entidade impessoal ou mesmo acima dos indivíduos, pairando no ar sobre as cabeças dos cidadãos. Ora! Esse estado não existe! Toda ação estatal é executada por pessoas em nome do Estado. Na verdade poderiamos dividir um determinado território em Estado e Governo. Estado seria a nação, os costumes, as leis, as estruturas físicas, os bens públicos. Governo seria os recursos humanos do Estado, os individuos que põem a estrutura do Estado em funcionamento. O problema é que as pessoas que são contratadas ou mesmo eleitas para dirigir o Estado, tomam posse do mesmo como se fosse proprieade particular, dirigem o Estado, moldam suas regras e leis em benefício próprio e não em função do bem estar do povo.
Por isso, não faz sentido algum ser contra o Estado ou discutir qual é o tamanho ideal do Estado, se não questionarmos os mecanismos de Governo, as formas de como se constituiem governos e a burocracia que dirigi o Estado.
São pessoas que coagem os cidadãos e não o Estado. Não importam muito leis e normas de ação criadas para limitar as pessoas. O governo é composto de pessoas humanas com poder de dirigir o Estado. Quando se considera o Estado acima da sociedade, o resultado é que todo aquele que detem o poder estatal se sentirá da mesma forma acima dos cidadãos, portanto aptos para agir de maneira arbitrária, ou impositiva sobre os membro da sociedade.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
GOVERNO – PARA QUE SERVE?
Abel Aquino
Por que temos a mania de cobrar do Governo a obrigação de resolver todos os tipos de problemas que temos em nosso País?
Por que, apesar de tudo, insistimos em que o Governo tem a obrigação de cuidar de todos nós, de resolver todo tipo de questão social, individual, de saúde, de educação, de crimes, de violência, de acidentes de toda espécie?
Por que, apesar de que tudo, o governo cuida mal da saúde, não consegue dar segurança ao cidadão honesto, não dá educação suficiente aos filhos dos trabalhadores, não dá estradas em bom estado nem distribui a justiça com igualdade?
Os jornais gostam de publicar manchetes tais como:
A Educação está de mal à pior; o governo precisa fazer alguma coisa.
O governo precisa distribuir melhor a renda
O governo precisa combater a violência urbana
O governo precisa cuidar dos velhinhos
O governo precisa cuidar das crianças abandonadas
O governo precisa cuidar melhor da estradas esburacadas.
O governo precisa combater o tráfico de drogas
O governo precisa combater a miséria e a fome
O governo precisa combate o desemprego.
O governo deve fazer isso e aquilo....
Todas essas questões são mais do que bem intencionadas, mas o que há de errado nisso?
O que se impõe é que precisamos responder a outras perguntas antes de sair cobrando do governo isso ou aquilo.
Por exemplo: o Governo é capaz de resolver isso ou aquilo?
Qual é o limite entre o que é de obrigação do governo e o que é obrigação da sociedade ou de setores dela?
Os políticos que elegemos tem o sério propósito de cuidar disso ou daquilo?
Se, ao serem eleitos, eles se sentem livres para cuidar de dar emprego a parentes, de fazer carreira por cargos mais cobiçados, terão interesse em resolver problemas sociais sem retorno rápido?
Há uma pergunta mais básica ainda: qual é a verdadeira função do governo? Não vale responder que é servir ao povo, ajudar o necessitado, proteger os pobres dos ricos, tirar dos ricos para dar aos famintos, e outras belas frases sem conteúdo nenhum.
Falo do objetivo prático, inconfesso de todo político, daquele objetivo que só descobrimos quanto acompanhamos atentamente o dia a dia de sua carreira pública.
Quantos parentes ele levou para o governo, sua mulher seus filhos, seus sobrinhos? quantas obras oferecidas a empreiteiras para pagar financiamento de campanha? quanta esmola deu aos pobres usando o bolso alheio, quantos empregos arrumou, nas milhares de repartições, para amigos, correligionários e puxa-sacos? Quantos projetos de lei para favorecer esse ou aquele grupo, mandando a conta para o resto da sociedade?
Nessas circunstâncias, os políticos podem resolver alguma coisa sem que seja acessório, sem que seja projeto de carreira, sem que seja para agradar setores eleitorais mesmo que a custa de penalizar o restante?
A questão magna é que nós, - falo da sociedade produtiva que paga a conta dos desvarios políticos, - não sabemos que tipo de governo queremos. É aquele que deve cuidar de tudo para que possamos viver despreocupadamente nossas mesquinhas vidas, curtindo um happy hour nos fins de tarde ou poder tomar sol na praia, bebendo uma cervejinha - ou se queremos um governo, não acima da sociedade, pseudo-unipotente, mas do qual podemos participar, cobrar, mudar, e, principalmente, torná-lo do povo, para o povo e pelo povo com dizia Lincoln?.
Podemos observar que numa cidade como São Paulo, com mais de 10 milhões de pessoas, não faltam arroz, feijão, óleo, farinha nos milhares de mercados, pão e leite nas padarias todos os dias, - e, no entanto, não existe nenhum decreto-lei governamental obrigando os produtores, industriais e comerciantes a abastecerem a população de São Paulo. E esses grandes e pequenos empresários fazem isso quase sem falhas. Aliás, os problemas que surgem, na maioria dos casos, são provocados pelos próprios governos. Por outro lado o que é de responsabilidade dos Governos, por exemplo em São Paulo, funciona mal ou nem sequer funciona, como é o caso da segurança, da qualidade das estradas e ruas, da saúde, da educação. Sobre tudo isso ainda pesa, nos ombros dos cidadãos, todo tipo de dificuldade burocrática, de restrições absurdas, de repressão ao honesto e proteção ao desonesto e assim por diante.
Dá para perceber que não é o Governo que faz funcionar a sociedade, pelo contrário, é a sociedade que funciona apesar das dificuldades criadas pelo Governo.
Pensemos nisso de agora em diante.....
Por que temos a mania de cobrar do Governo a obrigação de resolver todos os tipos de problemas que temos em nosso País?
Por que, apesar de tudo, insistimos em que o Governo tem a obrigação de cuidar de todos nós, de resolver todo tipo de questão social, individual, de saúde, de educação, de crimes, de violência, de acidentes de toda espécie?
Por que, apesar de que tudo, o governo cuida mal da saúde, não consegue dar segurança ao cidadão honesto, não dá educação suficiente aos filhos dos trabalhadores, não dá estradas em bom estado nem distribui a justiça com igualdade?
Os jornais gostam de publicar manchetes tais como:
A Educação está de mal à pior; o governo precisa fazer alguma coisa.
O governo precisa distribuir melhor a renda
O governo precisa combater a violência urbana
O governo precisa cuidar dos velhinhos
O governo precisa cuidar das crianças abandonadas
O governo precisa cuidar melhor da estradas esburacadas.
O governo precisa combater o tráfico de drogas
O governo precisa combater a miséria e a fome
O governo precisa combate o desemprego.
O governo deve fazer isso e aquilo....
Todas essas questões são mais do que bem intencionadas, mas o que há de errado nisso?
O que se impõe é que precisamos responder a outras perguntas antes de sair cobrando do governo isso ou aquilo.
Por exemplo: o Governo é capaz de resolver isso ou aquilo?
Qual é o limite entre o que é de obrigação do governo e o que é obrigação da sociedade ou de setores dela?
Os políticos que elegemos tem o sério propósito de cuidar disso ou daquilo?
Se, ao serem eleitos, eles se sentem livres para cuidar de dar emprego a parentes, de fazer carreira por cargos mais cobiçados, terão interesse em resolver problemas sociais sem retorno rápido?
Há uma pergunta mais básica ainda: qual é a verdadeira função do governo? Não vale responder que é servir ao povo, ajudar o necessitado, proteger os pobres dos ricos, tirar dos ricos para dar aos famintos, e outras belas frases sem conteúdo nenhum.
Falo do objetivo prático, inconfesso de todo político, daquele objetivo que só descobrimos quanto acompanhamos atentamente o dia a dia de sua carreira pública.
Quantos parentes ele levou para o governo, sua mulher seus filhos, seus sobrinhos? quantas obras oferecidas a empreiteiras para pagar financiamento de campanha? quanta esmola deu aos pobres usando o bolso alheio, quantos empregos arrumou, nas milhares de repartições, para amigos, correligionários e puxa-sacos? Quantos projetos de lei para favorecer esse ou aquele grupo, mandando a conta para o resto da sociedade?
Nessas circunstâncias, os políticos podem resolver alguma coisa sem que seja acessório, sem que seja projeto de carreira, sem que seja para agradar setores eleitorais mesmo que a custa de penalizar o restante?
A questão magna é que nós, - falo da sociedade produtiva que paga a conta dos desvarios políticos, - não sabemos que tipo de governo queremos. É aquele que deve cuidar de tudo para que possamos viver despreocupadamente nossas mesquinhas vidas, curtindo um happy hour nos fins de tarde ou poder tomar sol na praia, bebendo uma cervejinha - ou se queremos um governo, não acima da sociedade, pseudo-unipotente, mas do qual podemos participar, cobrar, mudar, e, principalmente, torná-lo do povo, para o povo e pelo povo com dizia Lincoln?.
Podemos observar que numa cidade como São Paulo, com mais de 10 milhões de pessoas, não faltam arroz, feijão, óleo, farinha nos milhares de mercados, pão e leite nas padarias todos os dias, - e, no entanto, não existe nenhum decreto-lei governamental obrigando os produtores, industriais e comerciantes a abastecerem a população de São Paulo. E esses grandes e pequenos empresários fazem isso quase sem falhas. Aliás, os problemas que surgem, na maioria dos casos, são provocados pelos próprios governos. Por outro lado o que é de responsabilidade dos Governos, por exemplo em São Paulo, funciona mal ou nem sequer funciona, como é o caso da segurança, da qualidade das estradas e ruas, da saúde, da educação. Sobre tudo isso ainda pesa, nos ombros dos cidadãos, todo tipo de dificuldade burocrática, de restrições absurdas, de repressão ao honesto e proteção ao desonesto e assim por diante.
Dá para perceber que não é o Governo que faz funcionar a sociedade, pelo contrário, é a sociedade que funciona apesar das dificuldades criadas pelo Governo.
Pensemos nisso de agora em diante.....
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
A CAVERNA ERA MELHOR?
Abel Aquino
Acordei, de manhã, com o som estridente do alarme do relógio. Era um dia da semana qualquer, mas desejei que fosse domingo ou feriado. Parecia penoso sair das cobertas e levantar. A noite foi fria e meu sono, tão profundo, que tinha a sensação de que dormira pouco demais. Imaginei quantas pessoas não passam, quando acordam, por esse momento de angustia.
Fui ao banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes, sempre pensando nesse conflito entre o desejo de ficar na cama e a obrigação de ter que ir trabalhar. Acredito que muita gente passa o dia carregando esse angustia, sim, o conflito entre desejo e dever permanece como um vaga angustia a dominar todo o corpo. Quantas pessoas não trabalham mal humoradas e desatentas ao que realizam, simplesmente porque vivem quase que diariamente esse conflito entre desejo e obrigação.
Quem não conhece pessoas que, não só vivem esse sofrimento e, até se deixam dominar por ele, e simplesmente se negam a ir trabalhar. Normalmente chamamos gente assim de “preguiçosa”. Mas, será essa uma boa definição de quem se deixou dominar pelo desejo de não fazer nada de vez em quando.
Fui para debaixo do chuveiro imaginando que a maioria das coisas que fazemos, ao longo de nossas vidas, são obrigações e, normalmente, obrigações contrariam desejos.
Quais seriam nossas obrigações no tempo das cavernas?
O ser humano teria, já naquela época, presente esse conflito entre a obrigação de sair para caçar alimente e a vontade de ficar dormindo debaixo de uma aconchegante manta de couro de bisão? Ou esse conflito é um mal da modernidade? Imagino que no passado, em qualquer período, enfrentamos a necessidade de procurar coisas para comer, de colher e caçar como parte importante de nossa existência. Não é obrigação, mas necessidade.E quanto tempo de nossas vidas eram dedicadas a esse atividade? Quanto de nosso tempo podíamos gastar tomando banho no lago, andando atrás das fêmeas ou participando de uma roda de homens, grunhido e gesticulando uns aos outros na tentativa de contar uma aventura passada qualquer?
Sei que seria difícil quantificar esses tempos, mas obrigações tinham um sentido, possivelmente, menos penoso. Caçar, pescar ou mesmo trepar em árvores são atividades muito mais agradáveis do que simplesmente operar máquinas numa fábrica barulhenta.
Acordei, de manhã, com o som estridente do alarme do relógio. Era um dia da semana qualquer, mas desejei que fosse domingo ou feriado. Parecia penoso sair das cobertas e levantar. A noite foi fria e meu sono, tão profundo, que tinha a sensação de que dormira pouco demais. Imaginei quantas pessoas não passam, quando acordam, por esse momento de angustia.
Fui ao banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes, sempre pensando nesse conflito entre o desejo de ficar na cama e a obrigação de ter que ir trabalhar. Acredito que muita gente passa o dia carregando esse angustia, sim, o conflito entre desejo e dever permanece como um vaga angustia a dominar todo o corpo. Quantas pessoas não trabalham mal humoradas e desatentas ao que realizam, simplesmente porque vivem quase que diariamente esse conflito entre desejo e obrigação.
Quem não conhece pessoas que, não só vivem esse sofrimento e, até se deixam dominar por ele, e simplesmente se negam a ir trabalhar. Normalmente chamamos gente assim de “preguiçosa”. Mas, será essa uma boa definição de quem se deixou dominar pelo desejo de não fazer nada de vez em quando.
Fui para debaixo do chuveiro imaginando que a maioria das coisas que fazemos, ao longo de nossas vidas, são obrigações e, normalmente, obrigações contrariam desejos.
Quais seriam nossas obrigações no tempo das cavernas?
O ser humano teria, já naquela época, presente esse conflito entre a obrigação de sair para caçar alimente e a vontade de ficar dormindo debaixo de uma aconchegante manta de couro de bisão? Ou esse conflito é um mal da modernidade? Imagino que no passado, em qualquer período, enfrentamos a necessidade de procurar coisas para comer, de colher e caçar como parte importante de nossa existência. Não é obrigação, mas necessidade.E quanto tempo de nossas vidas eram dedicadas a esse atividade? Quanto de nosso tempo podíamos gastar tomando banho no lago, andando atrás das fêmeas ou participando de uma roda de homens, grunhido e gesticulando uns aos outros na tentativa de contar uma aventura passada qualquer?
Sei que seria difícil quantificar esses tempos, mas obrigações tinham um sentido, possivelmente, menos penoso. Caçar, pescar ou mesmo trepar em árvores são atividades muito mais agradáveis do que simplesmente operar máquinas numa fábrica barulhenta.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
SOBRE ECOLOGIA E REPRESSÃO
Abel Aquino
Faz algum tempo que a questão do meio-ambiente transformou-se numa campanha moral e emocional com desdobramento para aspectos fascistas de intolerância, separando as pessoas em bandidos e mocinhos, situação na qual a reflexão profunda ou a analise desapaixonada foi sendo banida para destacar apenas os aspectos de danos e prejuízos da natureza, ignorando a condição humana inseparável e essencial de sobrevivência tão importante quanto a sobrevivência de qualquer outra forma de vida. Muitos dos ditos movimentos ecológicos trataram a questão como pólos opostos: ser humano versus preservação, o que fez com que, em suas campanhas, a luta pela sobrevivência da natureza significasse o banimento da presença humana e a transformação das áreas a serem preservadas em territórios intocáveis. Outro aspectos ainda mais perverso foi o de considerar que a destruição da natureza é fruto da maldade humana ou da ganância dos que buscam lucros e vantagens financeiras por quaisquer meios e em qualquer situação. Com essa forma de encarar o problema, o fator educação, a busca de outras formas de auferir lucros, a pesquisa de novas fontes de rendas e o trabalho de mudança de velhos hábitos, foram desprezados em favor de intervenções coercitivas, punitivas, repressivas mediante a elaboração de leis e regulamentos, presença massiva do Estado policial e a destruição arbitrária de meios de vida de muita gente, sem um mínimo de respeito aos direitos que deveriam ser assegurados por uma sociedade livre e democrática. Para os movimentos ecológicos mais radicais, a preservação da natureza estava acima da preservação dos direitos humanos básicos. Nessas condições não havia preocupação em encontrar meios de conviver com a natureza, de eliminar o conflito entre preservação e meio de vida.
Recentemente surgiu a noção de que é preciso avançar na direção de encontrar formas de desenvolver a sociedade sem destruir a natureza. Estamos falando do princípio da sustentabilidade ou “desenvolvimento sustentável”, conceito que pode encaminhar a questão para pesquisas de formas alternativas de usar a natureza em proveito do ser humano, sem danos permanentes às outras formas de vida. Na verdade estamos imersos na natureza e com a mesma interagimos e formamos o mundo da biodiversidade, organismos e flora intrinsecamente interligados e mutuamente interdependentes, compondo o equilíbrio biológico como um todo dessa espaçonave chamada terra. Esta é, esperamos, a partida para uma ação menos repressiva e burocrática da questão, ou seja, procurando buscar recursos de conhecimento, de manejo e de convivência, principalmente com investimento na educação das pessoas, empenhando esforços na formação de sociedades conscientemente baseadas na cultura da sustentabilidade e no convívio não predatório da natureza. Este seria um terceiro momento, entendendo que tivemos, antecedendo, a explosão populacional, patrocinada pela revolução verde, a modernização da agricultura, em seguida tivemos os primeiros alarmes sobre a poluição e a deterioração do meio-ambiente, que foi sucedido pelos movimentos alarmistas e adeptos da repressão pura e simples. Naquele momento inicial, os primeiros alertas chamavam a atenção sobre o uso intensivo de venenos nas lavouras e sobre a poluição das águas nas regiões próximas aos grandes centros urbanos. Esses primeiros alarmes, ainda tímidos, foram sucedidos, num segundo momento, pelos movimentos radicais ecológicos que brandiram a bandeira da preservação e do combate a poluição e a destruição da natureza a qualquer preço, sem respeitar a condição humana nessa problemática nascida da ignorância e, não da maldade inerente ao homo sapiens.
Felizmente, o terceiro momento dessa questão promete ser mais de paz e educação que de repressão e terrorismo catastrófico.
Faz algum tempo que a questão do meio-ambiente transformou-se numa campanha moral e emocional com desdobramento para aspectos fascistas de intolerância, separando as pessoas em bandidos e mocinhos, situação na qual a reflexão profunda ou a analise desapaixonada foi sendo banida para destacar apenas os aspectos de danos e prejuízos da natureza, ignorando a condição humana inseparável e essencial de sobrevivência tão importante quanto a sobrevivência de qualquer outra forma de vida. Muitos dos ditos movimentos ecológicos trataram a questão como pólos opostos: ser humano versus preservação, o que fez com que, em suas campanhas, a luta pela sobrevivência da natureza significasse o banimento da presença humana e a transformação das áreas a serem preservadas em territórios intocáveis. Outro aspectos ainda mais perverso foi o de considerar que a destruição da natureza é fruto da maldade humana ou da ganância dos que buscam lucros e vantagens financeiras por quaisquer meios e em qualquer situação. Com essa forma de encarar o problema, o fator educação, a busca de outras formas de auferir lucros, a pesquisa de novas fontes de rendas e o trabalho de mudança de velhos hábitos, foram desprezados em favor de intervenções coercitivas, punitivas, repressivas mediante a elaboração de leis e regulamentos, presença massiva do Estado policial e a destruição arbitrária de meios de vida de muita gente, sem um mínimo de respeito aos direitos que deveriam ser assegurados por uma sociedade livre e democrática. Para os movimentos ecológicos mais radicais, a preservação da natureza estava acima da preservação dos direitos humanos básicos. Nessas condições não havia preocupação em encontrar meios de conviver com a natureza, de eliminar o conflito entre preservação e meio de vida.
Recentemente surgiu a noção de que é preciso avançar na direção de encontrar formas de desenvolver a sociedade sem destruir a natureza. Estamos falando do princípio da sustentabilidade ou “desenvolvimento sustentável”, conceito que pode encaminhar a questão para pesquisas de formas alternativas de usar a natureza em proveito do ser humano, sem danos permanentes às outras formas de vida. Na verdade estamos imersos na natureza e com a mesma interagimos e formamos o mundo da biodiversidade, organismos e flora intrinsecamente interligados e mutuamente interdependentes, compondo o equilíbrio biológico como um todo dessa espaçonave chamada terra. Esta é, esperamos, a partida para uma ação menos repressiva e burocrática da questão, ou seja, procurando buscar recursos de conhecimento, de manejo e de convivência, principalmente com investimento na educação das pessoas, empenhando esforços na formação de sociedades conscientemente baseadas na cultura da sustentabilidade e no convívio não predatório da natureza. Este seria um terceiro momento, entendendo que tivemos, antecedendo, a explosão populacional, patrocinada pela revolução verde, a modernização da agricultura, em seguida tivemos os primeiros alarmes sobre a poluição e a deterioração do meio-ambiente, que foi sucedido pelos movimentos alarmistas e adeptos da repressão pura e simples. Naquele momento inicial, os primeiros alertas chamavam a atenção sobre o uso intensivo de venenos nas lavouras e sobre a poluição das águas nas regiões próximas aos grandes centros urbanos. Esses primeiros alarmes, ainda tímidos, foram sucedidos, num segundo momento, pelos movimentos radicais ecológicos que brandiram a bandeira da preservação e do combate a poluição e a destruição da natureza a qualquer preço, sem respeitar a condição humana nessa problemática nascida da ignorância e, não da maldade inerente ao homo sapiens.
Felizmente, o terceiro momento dessa questão promete ser mais de paz e educação que de repressão e terrorismo catastrófico.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
SOBRE PAZ E MANSIDÃO
Abel Aquino
Quando, com medo de guerras e violências, a gente defende uma sociedade de mansos, de indivíduos pacíficos, está na verdade justificando a existência da subordinação da sociedade á algum tipo de controle de uns pelos outros. Se alguém evita briga tem que combinar com o agressor, do contrário estará abrindo mão de algum direito violado por esse, o que quer dizer que está se submetendo ao outro.
Defender o pacifismo pelo medo de guerras, ser contra o conflito por medo da ruptura social e não ver, ao mesmo tempo que, na maioria das vezes, a paz é conquistada pela subordinação de uma das partes, o conflito é evitado pela tolerância às violações da integridade física ou moral de um individuo ou de uma sociedade, só é possível ignorando que a origem das guerra e dos conflitos pessoais está na injustiça.
As pessoas podem se revoltar contra tiranos, contra ditadores, contra aproveitadores, contra assaltantes e ladrões, mas, se forem mansas, treinadas no pacifismo, como poderão saber reagir, defender-se?
Os pacifistas esquecem de nos dizer como é possível alcançar a paz sem ceder em nossa integridade.
Para ter sentido, qualquer discussão entorno da paz precisa estar baseada na predisposição de toda a sociedade de buscar um mundo de justiça para todos, incluindo nesse debate os aproveitadores, os assaltantes e ladrões. E isso é ridículo.
Os conflitos sociais são resultados de assimetrias nos relacionamentos e na maioria das vezes essas assimetrias são geradas por sanções e restrições que foram criadas para evitar, exatamente, esses conflitos.
Se numa determinada sociedade houver um ladrão apenas não há como haver paz. Basta que um membro da sociedade queira viver às custas dos outros para tornar-se impossível a conquista da paz.
Quando, com medo de guerras e violências, a gente defende uma sociedade de mansos, de indivíduos pacíficos, está na verdade justificando a existência da subordinação da sociedade á algum tipo de controle de uns pelos outros. Se alguém evita briga tem que combinar com o agressor, do contrário estará abrindo mão de algum direito violado por esse, o que quer dizer que está se submetendo ao outro.
Defender o pacifismo pelo medo de guerras, ser contra o conflito por medo da ruptura social e não ver, ao mesmo tempo que, na maioria das vezes, a paz é conquistada pela subordinação de uma das partes, o conflito é evitado pela tolerância às violações da integridade física ou moral de um individuo ou de uma sociedade, só é possível ignorando que a origem das guerra e dos conflitos pessoais está na injustiça.
As pessoas podem se revoltar contra tiranos, contra ditadores, contra aproveitadores, contra assaltantes e ladrões, mas, se forem mansas, treinadas no pacifismo, como poderão saber reagir, defender-se?
Os pacifistas esquecem de nos dizer como é possível alcançar a paz sem ceder em nossa integridade.
Para ter sentido, qualquer discussão entorno da paz precisa estar baseada na predisposição de toda a sociedade de buscar um mundo de justiça para todos, incluindo nesse debate os aproveitadores, os assaltantes e ladrões. E isso é ridículo.
Os conflitos sociais são resultados de assimetrias nos relacionamentos e na maioria das vezes essas assimetrias são geradas por sanções e restrições que foram criadas para evitar, exatamente, esses conflitos.
Se numa determinada sociedade houver um ladrão apenas não há como haver paz. Basta que um membro da sociedade queira viver às custas dos outros para tornar-se impossível a conquista da paz.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
LIBERDADE OU SEGURANÇA
Na sociedade moderna atual, não se procura preservar a liberdade mas sim aumentar cada vez mais a segurança de uns contra os outros, mesmo que essa busca seja fadada ao fracasso. Entregamos ao estado a missão de nos proteger de nossos semelhantes quando, na realidade, o verdadeiro objetivo do Estado é proteger os que o controlam e sugar da sociedade os recursos que maximizarão o usufruto de ter o poder, ou seja, de representar o estado perante a sociedade. O papel da sociedade é de sustentar o Estado, e para que isso não seja visível os operadores do Estado criam uma ideologia de dependência, faz a sociedade crer, de que, sem a presença do Estado, as coisas seriam muito pior.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
QUEM VIVE DAS SOMBRAS
Abel Aquino
O dia dos seres humanos começa com o nascer do sol no leste e termina com o seu ocultar no oeste. O dia do leão começa com o por do sol no oeste e termina com o seu nascer no leste. O ser humano precisa da luz para viver, o leão precisa da sombra. Quando o ser humano usa a sombra para viver torna-se um mero predador.
O dia dos seres humanos começa com o nascer do sol no leste e termina com o seu ocultar no oeste. O dia do leão começa com o por do sol no oeste e termina com o seu nascer no leste. O ser humano precisa da luz para viver, o leão precisa da sombra. Quando o ser humano usa a sombra para viver torna-se um mero predador.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
PARA QUE SERVE A ONU?
PARA QUE SERVE A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS?
Abel Aquino
O nome ONU é totalmente inadequado.
Nação representa mais que governos, detentores do poder sobre suas respectivas populações: Nação é um território e seu povo, independentemente de quem A governa em um determinado momento, não é verdade?
QUEM PODE SER MEMBRO DA ONU?
Para ser membro da ONU basta ser governante, estar no poder, não importa como chegou lá, e não há distinção entre eles, pois podem ser governantes eleitos democraticamente ou eleitos por eleições manipuladas ou de fachada, ou, ainda, eleitos por junta militar, por vinculo familiar, hereditário, etc. Quantos deles não são representantes de suas nações, mas donos delas?
UM NOME MAIS APROPRIADO
Essa organização seria mais coerente se adotasse um nome tipo “ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DOS GOVERNANTES DE NAÇÕES - OMGN” ou outro qualquer, desde que refletisse melhor a sua real composição.
PODE-SE CONFIAR NESSA ORGANIZAÇÃO?
Como seus membros não são diretamente representantes de povos, mas, sim, de representantes de governantes que dominam e reinam, de alguma forma, sobre suas respectivas sociedades, essa organização é vista com desconfiança por qualquer pessoa bem informada em qualquer parte do mundo.
UM PALCO DE JOGOS DE PODER
Que bem pode trazer essa organização aos povos das centenas de nações da terra, se é tão mal representada e cuja principal atividade é a de promover disputas territoriais e posições de força e poder no jogo político mundial?
Abel Aquino
O nome ONU é totalmente inadequado.
Nação representa mais que governos, detentores do poder sobre suas respectivas populações: Nação é um território e seu povo, independentemente de quem A governa em um determinado momento, não é verdade?
QUEM PODE SER MEMBRO DA ONU?
Para ser membro da ONU basta ser governante, estar no poder, não importa como chegou lá, e não há distinção entre eles, pois podem ser governantes eleitos democraticamente ou eleitos por eleições manipuladas ou de fachada, ou, ainda, eleitos por junta militar, por vinculo familiar, hereditário, etc. Quantos deles não são representantes de suas nações, mas donos delas?
UM NOME MAIS APROPRIADO
Essa organização seria mais coerente se adotasse um nome tipo “ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DOS GOVERNANTES DE NAÇÕES - OMGN” ou outro qualquer, desde que refletisse melhor a sua real composição.
PODE-SE CONFIAR NESSA ORGANIZAÇÃO?
Como seus membros não são diretamente representantes de povos, mas, sim, de representantes de governantes que dominam e reinam, de alguma forma, sobre suas respectivas sociedades, essa organização é vista com desconfiança por qualquer pessoa bem informada em qualquer parte do mundo.
UM PALCO DE JOGOS DE PODER
Que bem pode trazer essa organização aos povos das centenas de nações da terra, se é tão mal representada e cuja principal atividade é a de promover disputas territoriais e posições de força e poder no jogo político mundial?
terça-feira, 11 de agosto de 2009
ISSO É UMA IMPOSSIBILIDADE!
A vida é um caminho com subidas e descidas, curvas e cruzamentos e sempre leva a algum lugar. Cada passo é uma encruzinhada e cada encruzilhada é uma possibilidade de pegar outro caminho e ir para outro destino. Só quem conhece os milhares de desvios e cada encruzilhada, pode dizer que encherga os acidentes do percurso e o que o espera depois da longa caminhada - e isso é uma impossibilidade.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
DE ECOLOGIA E REPRESSÃO
Abel Aquino
Faz algum tempo que a questão do meio-ambiente transformou-se numa campanha moral e emocional com desdobramento para aspectos fascistas de intolerância, separando as pessoas em bandidos e mocinhos, situação na qual a reflexão profunda ou a analise desapaixonada foi sendo banida para destacar apenas os aspectos de danos e prejuízos da natureza, ignorando a condição humana inseparável e essencial de sobrevivência tão importante quanto a sobrevivência de qualquer outra forma de vida. Muitos dos ditos movimentos ecológicos trataram a questão como pólos opostos: ser humano versus preservação, o que fez com que em suas campanhas a luta pela sobrevivência da natureza significasse o banimento da presença humana e a transformação das áreas a serem preservadas em territórios intocáveis. Outro aspectos ainda mais perverso foi o de considerar que a destruição da natureza é fruto da maldade humana ou da ganância dos que buscam lucros e vantagens financeiras por quaisquer meios e em qualquer situação. Com essa forma de encarar o problema, o fator educação, a busca de outras formas de auferir lucros, a pesquisa de novas fontes de rendas e o trabalho de mudança de velhos hábitos, foram desprezados em favor de intervenções coercitivas, punitivas, repressivas mediante a elaboração de leis e regulamentos, presença massiva do Estado policial e a destruição arbitrária de meios de vida de muita gente, sem um mínimo de respeito aos direitos que deveriam ser assegurados por uma sociedade livre e democrática. Para os movimentos ecológicos mais radicais, a preservação da natureza estava acima da preservação dos direitos humanos básicos. Nessas condições não havia preocupação em encontrar meios de conviver com a natureza, de eliminar o conflito entre preservação e meio de vida.
Recentemente surgiu a noção de que é preciso avançar na direção de encontrar formas de desenvolver a sociedade sem destruir a natureza. Estamos falando do princípio da sustentabilidade ou "desenvolvimento sustentável", conceito que pode encaminhar a questão para pesquisas de formas alternativas de usar a natureza em proveito do ser humano, sem danos permanentes às outras formas de vida com as quais interagimos e formamos o mundo da biodiversidade, intrinsecamente interligadas e mutuamente dependentes para o equilíbrio biológico como um todo dessa espaçonave chamada terra. É a partida para uma ação menos repressiva e burocrática da questão em proveito da busca de recursos de conhecimento, de manejo e convivência mediados pela educação das pessoas, pela formação de sociedades conscientemente baseadas na cultura da sustentabilidade e no convívio não predatório da natureza. Este seria em terceiro momento da questão inicialmente surgida da explosão populacional, da revolução verde, dos primeiros sinais de poluição e de deteorização do meio-ambiente. Naquele momento inicial os primeiros alertas chamavam a atenção para o uso intensivo de venenos nas lavouras e na poluição das águas nas rigiões próximas aos grandes centros urbanos. Esses primeiros alarmes, ainda tímidos, foram sucedidos pelos movimentos radicais ecológicos que brandiram a bandeira da preservação e combate a poluição e destruição da natureza a qualquer preço e sem respeitar a condição humana nessa problemática nascida da ignorância e, não da maldade inerente ao homo sapiens.
É sobre a luz dessa nova forma de encarar a questão ecológica que faremos um levantamento histórico da questão do palmito e desenvolveremos alternativas e novas visões sobre os aspectos ecológicos, antropológicos, com vista ao objetivo de alcançar meios sustentáveis, baseados nos princípios não predatórios da atividade econômica de exploração do coração das palmeiras para obtenção do palmito.
Faz algum tempo que a questão do meio-ambiente transformou-se numa campanha moral e emocional com desdobramento para aspectos fascistas de intolerância, separando as pessoas em bandidos e mocinhos, situação na qual a reflexão profunda ou a analise desapaixonada foi sendo banida para destacar apenas os aspectos de danos e prejuízos da natureza, ignorando a condição humana inseparável e essencial de sobrevivência tão importante quanto a sobrevivência de qualquer outra forma de vida. Muitos dos ditos movimentos ecológicos trataram a questão como pólos opostos: ser humano versus preservação, o que fez com que em suas campanhas a luta pela sobrevivência da natureza significasse o banimento da presença humana e a transformação das áreas a serem preservadas em territórios intocáveis. Outro aspectos ainda mais perverso foi o de considerar que a destruição da natureza é fruto da maldade humana ou da ganância dos que buscam lucros e vantagens financeiras por quaisquer meios e em qualquer situação. Com essa forma de encarar o problema, o fator educação, a busca de outras formas de auferir lucros, a pesquisa de novas fontes de rendas e o trabalho de mudança de velhos hábitos, foram desprezados em favor de intervenções coercitivas, punitivas, repressivas mediante a elaboração de leis e regulamentos, presença massiva do Estado policial e a destruição arbitrária de meios de vida de muita gente, sem um mínimo de respeito aos direitos que deveriam ser assegurados por uma sociedade livre e democrática. Para os movimentos ecológicos mais radicais, a preservação da natureza estava acima da preservação dos direitos humanos básicos. Nessas condições não havia preocupação em encontrar meios de conviver com a natureza, de eliminar o conflito entre preservação e meio de vida.
Recentemente surgiu a noção de que é preciso avançar na direção de encontrar formas de desenvolver a sociedade sem destruir a natureza. Estamos falando do princípio da sustentabilidade ou "desenvolvimento sustentável", conceito que pode encaminhar a questão para pesquisas de formas alternativas de usar a natureza em proveito do ser humano, sem danos permanentes às outras formas de vida com as quais interagimos e formamos o mundo da biodiversidade, intrinsecamente interligadas e mutuamente dependentes para o equilíbrio biológico como um todo dessa espaçonave chamada terra. É a partida para uma ação menos repressiva e burocrática da questão em proveito da busca de recursos de conhecimento, de manejo e convivência mediados pela educação das pessoas, pela formação de sociedades conscientemente baseadas na cultura da sustentabilidade e no convívio não predatório da natureza. Este seria em terceiro momento da questão inicialmente surgida da explosão populacional, da revolução verde, dos primeiros sinais de poluição e de deteorização do meio-ambiente. Naquele momento inicial os primeiros alertas chamavam a atenção para o uso intensivo de venenos nas lavouras e na poluição das águas nas rigiões próximas aos grandes centros urbanos. Esses primeiros alarmes, ainda tímidos, foram sucedidos pelos movimentos radicais ecológicos que brandiram a bandeira da preservação e combate a poluição e destruição da natureza a qualquer preço e sem respeitar a condição humana nessa problemática nascida da ignorância e, não da maldade inerente ao homo sapiens.
É sobre a luz dessa nova forma de encarar a questão ecológica que faremos um levantamento histórico da questão do palmito e desenvolveremos alternativas e novas visões sobre os aspectos ecológicos, antropológicos, com vista ao objetivo de alcançar meios sustentáveis, baseados nos princípios não predatórios da atividade econômica de exploração do coração das palmeiras para obtenção do palmito.
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