quarta-feira, 7 de novembro de 2018

COMPORTAMENTO APROPRIADO


No sentido extramoral qual é o comportamento mais adequado para o momento? Quando o adequado é lutar, luta-se com o máximo de energia possível e com a maior habilidade adquirida; quando é adequado fugir, foge; quando for adequado fazer as pazes e celar um acordo, escolhe-se a paz e celebra o acordo. Esse é o comportamento apropriado.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

SOMOS CIVILIZADOS OU APENAS DISSIMULADOS?

Medir nosso grau de civilidade pelo distanciamento que podemos promover entre a natureza animal e o desenvolvimento da razão é uma crença que não tem base na realidade da vida. A história prova que em mais de dois mil anos de combate sistemático e até cruel de nossa natureza animal não foi possível melhorar os seres humanos. Temos sido quase que incapazes de evoluir mentalmente. Há milênios gasta-se enorme energia para controlar as pessoas culturalmente, socialmente, violentamente, com fogueiras, enforcamentos, fuzilamentos, envenenamentos, choques elétricos e o resultado é uma sociedade medrosa e angustiada por um lado, violenta, hipócrita e teatral por outro.
Criaram-se mecanismos eficientes de transmissão de conhecimentos tecnológicos que transformaram radical e inacreditavelmente o mundo tecnológico de que nos servimos, mas não se conseguiu encontrar meios de promover a evolução mental da espécie humana, mesmo a dos próprios cientistas e inventores, muito menos a do povo comum. 

quarta-feira, 21 de março de 2018

POR ONDE ANDAM NOSSOS INSTINTOS?


O problema das interpretações morais e como regras éticas é que elas são tratadas ao nível da vontade livre e consciente. Para os moralistas, o ser humano precisa saber o que é justo e o que é injusto e fazer uma opção consciente pelo agir justo. Ora esse fazer a “opção” pressupõe uma manobra ativada pela vontade consciente, ou seja, pela força daquele homúnculo que devemos colocar dentro de nós para nos controlar. O uso da vontade consciente pressupõe sempre um esforço de controle, no caso do autocontrole.
Vontade consciente: é o sentimento de que o individuo precisa seguir as normas e preceitos morais da sociedade; é o oposto da vontade inconsciente que é a vontade instintiva, misturada com os hábitos e cacoetes mentais adquirido na infância. A vontade consciente só é possível pelo adestramento, iniciado pelos outros e incorporado ao nosso ser por um processo de autovigilância, de autocontrole.
 A confusão começa quando  a vontade consciente, ou seja ,moral, perde a batalha para a vontade instintiva e os hábitos adquiridos aleatoriamente, nossa verdadeira e primordial natureza, e o verniz civilizatório se rompe e o animal legítimo que há em todos nós se manifesta. Nossos instintos são prioritários em nossa natureza. Quero dizer que eles prevalecem sobre qualquer tentativa de se criar uma natureza moral acima deles, uma forma de agir conveniente para a sociedade que nega a nossa natureza básica. A essa tentativa podemos chamar de “domesticação” do ser humano?

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O SER HUMANO VIVE NA SUPERFÍCIE DO CONHECIMENTO

Quando o ser humano dominou a fala houve uma grande revolução. Milhares de anos depois, dominou a escrita ou seja criou uma forma simbólica de representar a fala e ocasionou outra grande revolução na forma de transmitir conhecimento de uma geração a outra. Quando inventou a impressão de livros veio outra grande revolução e a difusão de conhecimento foi rápida e impressionante. A última revolução, a da informática, ou seja, a de  armazenar e transmitir conhecimento através de memórias binárias, expandiu a uma dimensão inimaginável a capacidade humana de armazenar, transmitir conhecimento adquiridos e criar novos conhecimentos,aliada a criação de instrumentos acessórios aos nossos sentidos, como o microscópios e tantos outros equipamentos de pesquisa do mundo natural. Estamos no auge da estupenda expansão do conhecimento humano em todas as áreas do conhecimento. Contraditoriamente, a grande maioria dos seres humanos não acompanha nem assimilam esse imenso fluxo de dados que giram como tornado sobre nossas cabeças.
O acesso aos conhecimentos armazenados pelas gerações  passadas e presentes está incrivelmente facilitado, mas, ao mesmo tempo, perde sua importância, vulgariza, esfacela e segmenta. Muitos sabem sobre miríades de  coisas mas não conhecem quase nada em profundidade. A grande maioria das pessoas nada na superfície e nunca desce ao fundo de qualquer segmento da ciência humana. Mesmo nas universidades, que pretendem ser o farol irradiador de luz ao mundo, a grande maioria  dos formandos saem bons engenheiros, bons físicos ou mesmo bons médicos, mas sem quase nenhum conhecimento da natureza de si mesmo ou dos seus semelhantes.

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quarta-feira, 24 de maio de 2017

NÃO SOMOS MERAS CÓPIAS RETOCADAS?

Vejo um erro comum de muita gente que é o de achar que a vida começa com o nascimento, que cada ser humano é uma novidade no mundo. Será que se ignora que as novas gerações não passam de uma tentativa dos pais para se perpetuarem, assim com fizeram os avós, os bisavós e até recuar a primeira ameba? Somos nossos pais rejuvenescidos e eles foram rebentos que brotaram de seus pais. Quase tudo o que somos não passa de uma versão recauchutado de nossos antepassados. O que acrescentamos ou deixamos de acrescentar ao mundo é o que fará alguma diferença. Assim conseguimos mover a história para pior ou para melhor, não é verdade?

sábado, 3 de dezembro de 2016

SOCIEDADES ARTIFICIAIS

O estado como um organismo que paira acima da sociedade e é responsável pela sua existência e continuidade surgiu porque todos os sistemas sociais que deram origem às nações e aos governos geograficamente delimitados, são arranjos artificiais, não espontâneos. Quanto mais artificiais são, mais centralizados e controladores precisam ser. No mundo moderno não se concebe uma sociedade sem um estado organizado e organizador. As aspirações utópicas dos anarquistas não passam de sonhos irrealizáveis.
Por que isso acontece?
As sociedades espontâneas não precisavam de um estado acima delas para existir, mas todas elas foram extintas; perduram apenas na forma de pequenos grupos isolados em densas florestas de algum recanto do mundo. Com o aumento das populações, da busca de alimentos e com a invenção de armas de agressão, os seres humanos empreenderam as guerras, inicialmente por comida, depois por vantagens materiais. Os grupos precisavam se unir para se defender ou para predar outros grupos, daí surgiram as primeiras organizações centralizadas e hierárquicas. O surgimento da hierarquia, comandante, soldado, sacerdote e trabalhadores supridores, exigiu uma organização dirigente do tipo que conhecemos hoje, centralizada e forte. A predação criou a classe dos escravos como uma quinta classe, abaixo de todas as outras.
Assim, com o passar do tempo, os estados organizados conforme interesse de uma classe dirigente tanto de preservar o seu grupo quanto de garantir o suprimento de suas necessidades através do trabalho forçado da classe inferior e dos escravos, exigiu um aparato estatal centralizado, poderoso e repressor.
O Brasil, por exemplo, que é uma nação artificialmente construída, só preserva sua unidade geográfica porque é um estado centralizado e controlador. O desenho territorial revela isso e o sistema político que temos baseado em normatização e controle, ou seja com leis e polícia, garante sua permanência no tempo, tanto contra secessões quanto contra as invasões externas dos seus vizinhos. Um país tão grande como esse não resistiria nem alguns dias a uma descentralização significativa. Sua história, fabricada tanto pelo domínio português de outrora quanto pelos grupos políticos atuais que se alternam no poder, foi sempre marcada pelo domínio estatal extremado da vida cotidiana de todos e de cada um de seus habitantes. Qualquer idéia de descentralização é sempre considerada uma ameaça a unidade tanto territorial quanto social. Esse medo revela claramente o alto grau de artificialismo desse arranjo arbitrário chamado “Estado Brasileiro” ou mesmo “Nação Brasileira”.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

QUEM ESPALHA A DISCÓRDIA?

O estado - e os políticos e burocratas por trás dele - trabalha para nos desunir; ele nos ensina a desconfiar de nosso vizinho, a temer o cidadão da esquina, a odiar o comerciante, a ter inveja do bem sucedido, a cobiçar a propriedade alheia, a crer que há injustiça onde existe apenas competência, a acreditar que justiça é tirar do que tem para dar a quem não tem,  sem que se precise perguntar de onde veio a riqueza do outro.
Os agentes do estado, políticos e burocratas, adoram poder controlar nossas vidas e isso só é possível quando conseguem disseminar a discórdia entre todos, a desconfiança de uns em relação aos outros, a inveja de uns contra os outros, misturado com a fé na imparcialidade do estado, na sua onisciência para saber o que é melhor a cada um de nós. O estado prefere relações verticais voltadas para ele, do que relações horizontais cultivadas espontaneamente no seio da sociedade.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

QUE PAÍS SERIA ESSE SOB OS BOLORES DA HISTÓRIA?

A forma como nascem as nações pode dizer muito sobre seu povo e sobre o rumo que  tomarão ao longo dos séculos. Os Estados Unidos da América completou sua independência quando consegui uma constituição federalista,  pautada em princípios, na maioria, opostos ao princípios que embasaram a formação da nacionalidade brasileira. Um exemplo esclarecedor é o daquela famosa declaração de Alexander Hamilton, por ocasião da elaboração de sua constituição. Expunha ele a seguinte questão: Se os homens são capazes de se dar a si mesmos um bom governo por própria reflexão e escolha, ou se a Previdência os condenou a receberem eternamente a sua constituição política  da força ou do acaso. Hamilton queria dizer que os constituintes estavam sob um grande dilema: seria o povo americano capaz de construir um sistema político aberto, democrático e o mais consensual possível, esforçando cada um a si mesmo para colaborar na construção de uma nova sociedade baseada na liberdade individual ou, não sendo capaz disso, ser obrigada a submeter-se a um governo despótico e autoritário de poucos sobre os muitos?
Esse dilema jamais povoou a mente de qualquer constituinte de nenhuma das várias constituições  com as quais se tentou consolidar a nação brasileira. Aqui, no Brasil, desenvolveu-se uma cultura baseada no “comando e controle”, representada pela questão de quem pode mandar e quem deve obedecer. A idéia de liberdade política, de participação do povo na elaboração da constituição organizadora da sociedade nunca foi cogitada. Para a mentalidade portuguesa e posteriormente pela da elite brasileira o dilema era outro: como uma sociedade deve ser comandada. Se por métodos duros ou se por métodos suáveis. Não havia nenhuma crença na autodeterminação das pessoas, nos benefícios da liberdade individual ou na livre iniciativa dos indivíduos. A questão era outra: quem está preparado para mandar e quem está condenado a obedecer. A cultura brasileira prevalecente era de que uma boa sociedade é aquela que se constrói com uma elite competente. “Ordem e Progresso” foi o lema que sintetizou toda essa mentalidade.
Enquanto os norte-americanos discutiam em 1787 o quanto sua nascente constituição deveria ceder aos interesses das elites e quanto poderia incorporar das demandas do povo comum, nossos vários constituintes estavam preocupados em criar um estado centralizado, apto a organizar a sociedade de determinada ordem e capaz de manter por tempo indeterminado essa ordem. O dilema era entre métodos e formas de comandar o povo. A última constituição optou por criar uma constituição voltada para a proteção de uns contra outros, inspirada na mentalidade de estado paternal, uma espécie de cunha encravada entre os fortes e os fracos, entre os ricos e os pobres. Como predomina uma concepção latina, uma visão de que a sociedade é composto por três elementos, os ricos , os pobres e o estado e que este último sempre foi o sustentáculo dos ricos para explorar os pobres, conclui-se que uma boa sociedade seria possível quanto invertesse a ordem, organizando um estado que protegesse o pobre do rico. Nessa visão, o estado aparece como elemento neutro, sobre-humano, isento de falhas e sempre correto e justo em suas ações e imposições.
Enquanto os constituintes norte-americanos debatiam uma forma de proteger o povo dos arbítrios do estado, no Brasil se discutia uma forma de colocar o estado entre o pobre e o rico, ignorando totalmente os perigos de dar poder ao estado e nenhuma proteção ao povo contra o eventual   abuso desse poder. Acabou que o pobre é obrigado a viver sob o jugo do estado que se diz seu protetor e sob o jugo das elites poderosas que seqüestraram o estado para seus interesses. Vivemos numa sociedade que cede ao estado o monopólio de poder de fazer o bem sem meio algum de impedi-lo de desviar do caminho e oprimi-lo . Nossa constituição não nos protege contra os políticos de forma alguma, pois foi elaborada por eles, para servir a eles e não ao povo. Durante sua elaboração, os constituintes acreditavam piamente que sabiam, mais que o próprio povo, o que seria bom para ele e imbuídos por espírito de boas intenções, mantiveram o povo longe do poder convenientemente.Acreditavam possivelmente: sabemos o que é bom para eles melhor que eles próprios; para que consultá-los?
Na elaboração da constituição norte americana, uma ala clamava para que todos ouvissem a voz do povo e não só as das elites ricas e instruídas, outra defendia a construção de um estado que protegesse os ricos das revoltas dos pobres, uma terceira buscava um meio termo entre preservar o interesse dos ricos e proteger os direitos e a liberdade dos pobres.  No fundo, o entendimento predominante era de que a constituição deveria agradar a todos: proteger os ricos dos pobres e ao mesmo tempo ceder em boa parte aos interesses do povo comum, limitando o poder do estado de forma a evitar que fosse dominado pelos ricos em detrimentos dos pobres nem dominado pelo povo em prejuízo dos ricos. Predominava a crença no direito natural e na liberdade individual. Como escreveu Thomas Jefferson:  Todo governo, na terra, tem certo traço de fraqueza humana, certo germe de corrupção e degenerescência que a esperteza descobrirá e a maldade insensivelmente porá a nu, cultivará e aperfeiçoará. Todo governo degenera quando confiado somente aos governantes do povo. O próprio povo é seu único depositário seguro. Acreditava Jefferson que um governo sobre o povo em vez de um governo do povo, acaba sempre pervertido, tornando-se um flagelo ao próprio povo que o elegeu.
Nosso pecado original e fatal, como brasileiros, é acreditar que existe apenas duas formas de sociedade: aquele que vivem sobre um governo mal e aquele que vive sobre o jugo de um governo bom. Nunca imaginamos se é possível existir uma sociedade em que o povo governe a si mesmo, onde cada indivíduo seja tutor de si mesmo e não tutelado por um estado sujeito a voltar-se contra ele. De certa forma os constituintes norte americanos cultivavam, com quase unanimidade, uma profunda desconfiança de qualquer forma estatal centralizada que não aquela que o povo pudesse domá-la.

Resumindo. Em nossa concepção é o estado que viabiliza a boa sociedade e não o contrário. Acreditamos inviável uma sociedade criar um bom estado, limitado em poder, subordinado à  sociedade. Na realidade, nosso inferno é não acreditar nas pessoas comuns, essa convicção de que uma idéia de qualquer homem culto vale mais que mil idéias da multidão sem estudos. Conservadores e esquerdista igualmente querem manipular as massas. Os primeiros desejam um povo obediente e ordeiro, satisfeito com o que são e com o papel que lhe reservaram  exercer. Já os esquerdistas manipulam o povo para que tornem soldados obedientes de seus projetos de pilhagem e roubo; fora do poder, o povo seria seu soldado, conquistando poder, o povo deverá servi-los submisso. 01/07/2016

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

UMA CHAMA QUE NÃO SE APAGA

Para preservarem suas vidas, muitos pensadores e filósofos evitaram tratar de política, pelo menos, diretamente. Sócrates foi um dos primeiros a fazer isso. Mas para ele chegou um momento em que os políticos o pegaram.  Diante do poder só lhe restaram
duas alternativas: ou renegava seu passado ou confirmava, enfrentando a morte. Escolheu assumir suas convicções. Ao ser condenado, sua execução tornou-se a coroação do seu trabalho. Enquanto pôde evitar a política e suportar os desmandos e a ignorância dos líderes de sua Atenas, sobreviveu. Sabia que não tinha força suficiente para se preservar diante de um confronto direto, por isso, evitava topar de frente com os poderosos. Mas, quando o choque se mostrou inevitável, teve a coragem de não recuar e não se acovardou,  enfrentando seus algozes sem medo e com  firmeza. Morrer para ele já não seria mais apagar uma chama ainda sem brilho, mas, sim, a projeção de um fogo tão vasto e inalcançável que sua luz, em vez de se apagar, espalhar-se-ia pelo tempo. Por isso, ela ainda brilha em nossas vidas, mais de dois mil anos depois.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O ESTADO NOS FAZ PIORES DO QUE SOMOS - PARTE lll

O estado como um organismo apartado da sociedade não possui outro poder que não o que tirou do povo sobre os quais se sobrepõe. Quando mais “poder” os políticos possuem menos poder tem a sociedade. Vai daí que um regime em que o estado determina como cada cidadão pode viver e ganhar a vida, não há dinamismo econômico, pois, o individuo que se esforça mais no trabalho ou na criatividade, estará apenas aumentando a parcela de sua renda que deverá  transferir ao estado voraz. Por isso é que só numa sociedade regida pelo livre mercado existe incentivo à produção de riqueza.  Nos sistemas políticos que protegem a propriedade de cada um e em que as pessoas podem se enriquecer, se quiserem, pois são livres para prestar serviços uns aos outros e produzir coisas úteis ou criando equipamentos, ferramentas e bens que beneficiam a sociedade, nesses a prosperidade aparece. Desta maneira, em quase cada esquina de uma cidade a gente encontra um mercadinho que vende tudo o que qualquer pessoa precisa, principalmente ovos a vontade. Um liquidificador é encontrado até em pequenos comércios de bairro, sem fila de espera, sem burocracia, sem ordens do governo.
Qualquer um de nós pode ver que toda a abundância que vemos nas mercearias, nas padarias, nos mercadinhos, nas grandes redes, nas lojas de roupas, enfim toda sorte de utilidades, não é obra do estado, não foi criada por decreto estatal e, no entanto, está ai.  Por exemplo, não existe um decreto lei que obrigo o padeiro a fazer pãezinhos quentes todos os dias para os 20 milhões de brasileiros que vivem só na grande São Paulo, não entanto nunca há falta de pão todo dia,  A partir da 6 horas da manhã para todos e quaisquer pessoas que forem a padaria haverá pães a vontade. Como isso é possível? Esse é um fenômeno criado pelo livre mercado, pela liberdade econômica, ou seja, pela liberdade que todo cidadão tem de ter o seu negocio, de empreender uma atividade que responde ao desejo ou à necessidade do povo. A palavra chave no sucesso e na abundancia criada pelo livre mercado é “liberdade”.

Uma crença ingênua e até perigosa é a de que o estado consegue gerar riqueza, que um país pobre, por exemplo, precisa de um estado empreendedor para levar sua nação ao rol das nações ricas. É um equivoco grande, pois interpretam erradamente os meios que os povos do primeiro mundo usaram para alcançar o estatus de países ricos. A riqueza é o resultado dos milhões de empreendimentos particulares, desenvolvidos pelas pessoas sob um regime de liberdade, com o estado apenas garantindo o cumprimento das regras de funcionamento desse livre mercado, atuando como redutor de atritos, como lubrificante dessa engrenagem complexa de criação, muito trabalho, ousadia empresarial, diversidade e busca de satisfação dos consumidores.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O ESTADO NOS FAZ PIORES DO QUE SOMOS - Parte II

Os estatistas chegaram ao cúmulo de estatizarem as boas maneiras, criando leis que obrigam as pessoas a  dar preferência aos velhos nos bancos dos veículos de transporte público. Você acha que era necessário estatizar as boas maneiras? Que uma simples sequência de palavras escritas em papel com carimbo das autoridades iria, magicamente, mudar o comportamento de todo o mundo. Alguém seria suficientemente ingênuo para acreditar nisso?
 Mas o que me espanta é que a grande maioria das pessoas não percebe esses absurdos.
Com a estatização das boas maneiras, não precisamos mais ser educados, gentis, conscienciosos; basta que cumpramos a lei. Os gestos de educação e boas maneiros foram dispensados por uma imposição estatal. Eliminou, com esse expediente, os problemas de falta de educação no transporte  publico? Claro que não. Só se criou mais um item gerador de conflitos e desavenças, pois os que se enquadram nas exigências da lei, defendem esse direito adquirido com unhas de dentes, coagindo, ameaçado, constrangendo o “folgado” infrator da  lei. Essa  é um tipo de lei que nos torna piores do que normalmente somos.
Toda vez que o estado dá um direito a alguém ou a um grupo especifico de pessoas, esse direito, para os que ficaram de fora, torna-se um dever. E se gerar custos para esses que não foram contemplados, o dever será uma espécie de sacrifício, pelo qual, obrigatoriamente, terão de passar.
Toda vez que o estado resolve distribuir justiça por decreto, só distribui benefícios para uns e encargos para outros. Não escapa disso. Quanto mais justiças o estado tentar impor à sociedade mais injusta ela será. É por isso que todos as tentativas de implementar o socialismo/comunismo como o supra-sumo da justiça, levou todas essas pobres sociedades ao completo desastre, muita vezes a coisa pior, a terríveis genocídios.

Lista de espera sempre foi a marca registrada dos países comunista, socialista ou coisa parecida. Na Russia, no auge do regime comunista, havia lista de espera pra comida, eletrodomésticos, sapatos, roupas íntimas, em resumo, havia praticamente lista de espera para tudo. Em Cuba, só havia, antes dessa recente abertura, abundância de açúcar. Comprar um simples liquidificador, por exemplo, desse que todo brasileiro tem, seja ele pobre ou rico, era uma dificuldade imensa. A lista de espera era tão grande que poderia levar anos para um cidadão comum receber seu aparelho em casa. Ovo, em Cuba era um item de luxo da mesa. Muitas pessoas tentavam criar galinha no quintal, mas eram roubados pelos vizinhos ou denunciados como anti-patriotas por não repartir suas galinhos e ovos com todo o mundo. Nessa  caso, a obrigação de repartir significou o desaparecimento de aves domesticas nos quintais dos cidadãos. Passaram a depender do armazém estatal para conseguir ovos para enriquecer um pouco o jantar da família. Mas havia cota. Na média, dois ovos por semana para cada família.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O ESTADO NOS FAZ PIORES DO QUE SOMOS - 1º PARTE


O estado nos faz piores do que normalmente somos. Ele é incapaz de nos educar no sentido ético e moral da palavra “educar”. Explico: O estado só pode agir em nós por coerção, através de seus agentes de vigilância, imposição e castigo. O estado tenta nos doutrinar por meio de comandos, ordens e proibições e isso só pode ser efetivado mediante a criação de uma imensa força tarefa de agentes de toda espécie, coma função de nos vigiar diuturnamente. Aos poucos a  presença do estado em nossas vidas vai crescendo de tal maneira que acabamos, não mais desenvolvendo relações diretas com nossos semelhantes, mas, sim, todas elas intermediada pelo estado. O  convívio social torna-se, não uma maneira de aprender, através de atritos, competição, interesses conflitantes mas também cooperação, formas espontâneas e benéfica para todos, mas um meio de tirar vantagens uns dos outros, apelando constantemente pela intervenção do estado em nosso favor. É nesse sentido que podemos considerar que o estado nos torna piores do que normalmente somos. Ele destrói as relações espontâneas das pessoas em seus dia a dia, daqueles contatos que fazem partes do aprendizado do convívio, e onde nascem costumes, tradições,  normas morais e éticas, colocando em seu lugar relações forçadas através de ordens, leis, proibições e mediadas por um batalhão de agentes com enorme poder de nos coagir e castigar. Esses agentes estatais tornam-se uma classe especial, uma espécie de braço pesado do governo sobre nossas cabeças. Nessas circunstâncias, não discuto com meu vizinho uma forma adequada e prática de descartamos nosso lixo. Tenho uma opção mais impositiva para  resolver a questão: denuncio ele para as “autoridades” por deixar seu lixo na  calçada fora da hora.

Toda vez que se tentar melhorar a sociedade por decreto, o resultado será, muitas vezes, pior do que nas condições anteriores. 

segunda-feira, 25 de abril de 2016

UM EXAGERO DA NATUREZA

Por que o mistério e  o incompreensível nos apavoram tanto?

Uma explicação é a de que, instintivamente, temos necessidade de saber, quase instantaneamente o que é ameaça, o que é perigo do que é inofensivo, do que causa dor e do que causa prazer, ou ainda do que mata, do que causa um bem. Foi aprendendo essas distinções que a humanidade conseguiu sobreviver até hoje. Quando não consegue avaliar se alguma coisa ou agente é desconhecido, ou seja não pode ser associado ou comparado a nada conhecido, a primeira reação é de medo e o medo exige respostas, impõe a ânsia de ou fugir ou tentar analisar, tentar tornar conhecido o desconhecido, avaliar e classificar, talvez julgar e encontrar uma resposta que elimine o medo.

Então, a primeira resposta do organismo, seja ele o ser humano ou outro animal qualquer é de medo em face do incompreensível. Se o medo for muito grande há a fuga,  se o medo for controlável  surge a curiosidade e com a curiosidade o desejo de avaliar, comparar, julgar. No caso da espécie humana, sua mente é exageradamente racional, no sentido de que estabelece relações extremamente complexas e faz comparações muito mais abrangentes que os outros seres vivos, inclusive em relação aos seus parentes mais próximos, os primatas. Diante do medo, os humanos sobrecarregam a mente na tentativa de decifrar um enigma, faz milhares de comparações e consegue criar uma escala de possíveis graus de ameaças, tornando seu comportamento muito mais complexo. 

Os animais tendem a escolher quatro reações, de fuga, de enfrentamento, de indiferença ou curiosidade. Por outro lado o ser humano pode, devido a hipersensibilidade de sua mente, desenvolver mais facilmente o medo neurótico, o medo gerado pela imaginação.

A mente humana parecer um exagero da natureza. Tanto é um exagero que sofre muito mais que os outros animais com as conseqüências de seus equívocos, de seus autoenganos. Nos animais inferiores, o instinto é o principal e eficiente recurso na luta pela sobrevivência. No ser humano os instintos vivem um eterno conflito com os costumes, hábitos e restrições artificial gerados pela civilização.

sexta-feira, 18 de março de 2016

PODER E LIBERDADE

Quando Pedro é mais forte que João, Pedro vai explorar este de alguma forma e em seu benefício, assim como se João é mais forte vai explorar o Pedro em seu beneficio. Algum tipo de pacto espontâneo só surge quando Pedro  e João tem proporcionalmente o mesmo grau de poder,  e cada um se beneficiaria, exclusivamente, pela cooperação com o outro. Tendo equilíbrio de poder, as desavenças e mesmo luta entre ambos causa tanto dano ao Pedro quanto ao João. Por isso que o acordo de convivência surge como uma boa solução para ambas as partes. Mas é o balanço de poder  que vai determinar como serão as relações entre esses dois membros da sociedade. No momento em que estão procurando formas de convívio benéficas  a ambos não há uma elaboração mental, intelectualizada da situação. Eles agem movidos por instintos e interesses, busca de  benefícios e rejeição dos prejuízos. O resultado desse esforço de extrair vantagens dessa sociedade em formação será determinado, portanto, pelo balanço  de poder entre ambos.
Agora um pacto racional que os membros de uma sociedade estabelecem mais ou menos conscientes entre si, isso é coisa de intelectual que imagina que os outros seres humanos agem, na maior parte do tempo de forma racional e isso é uma impropriedade. O famoso pacto imaginado  por John Locke não passa de uma fantasia intelectual. Uma sociedade não se forma com uma convocação de seus membros em reunião para discutir uma forma de vivência e elaborar regras de comportamento, estabelecer direitos e deveres. Isso é pura tolice.
Os seres humanos não se comportam dessa maneira. Quem talvez esteja mais próximo da realidade da genealogia da formação das sociedades são aqueles pensadores que defendem a chamada ordem espontânea, que eu nomearia de organização social não intencional. Defino esse tipo de sociedade organizada de não intencional pelo fato de  estar ausente nela  o planejamento centralizado, consciente e racional de busca de regras e normas de convivência social. Na verdade, é ordem espontânea quando formada pelo jogo de interesses e anseios de  cada um, confrontado com os interesses e anseios dos outros. Não há transição abrupta ou planejada de uma sociedade de estado natural para outra formada por pactos racionais.
Locke estava preso ao mesmo principio filosófico de Hobbes que via na sociedade dois momentos distintos, que é a sociedade sem estado de desavenças e conflitos para uma sociedade com estado, baseada numa imposição de regras e normas por uma elite esclarecida e investida de poder sobre os outros membros. Locke apenas trocou o estado pelo pacto.

Resumindo, vejo que uma sociedade qualquer pode ser caracterizada facilmente pelas relações de poder entre seus membros. Portanto, uma sociedade igualitária não é aquela em que todos tem a mesma renda, mas sim, a em que o poder está diluído entre seus participantes. Quando o poder está concentrado em um pequeno grupo ou classe, esse grupo ou essa classe irá explorar, de alguma forma, o restante da sociedade.  Portanto a igualdade social não pode ser fruto da bondade de uma elite poderosa, mas sim resultado de uma desconcentração do poder.  Se  Pedro não tem poder de mandar em João, este tem a “liberdade” de viver sua própria vida. Podemos até criar a máxima de que “ adquirimos a igualdade quando somos livres e vivemos em liberdade  porque não há ninguém que tenha poder sobre nós. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

DUAS GRANDES REVOLUÇÕES ESQUECIDAS

Dentro do cristianismo, a grande revolução que percebo está na reforma protestante. Esse movimento, que introduziu novos valores sociais e cuja aplicação deu origem ao mundo  liberal moderno, possuía  aspectos fundamentais nem sempre destacados pelos pesquisadores. Falo de duas características que foram decisivas, destacadamente como nenhuma outra, quais são, a crença na relação pessoal com Deus, sem a necessidade da intermediação do padre local ou da igreja, e a dignificação do trabalho, da atividade mercantil e da busca de lucro, resultando no enobrecimento da atividade produtiva, do empreendimento mercantil e no sucesso através de negócios comerciais.
O primeiro deu origem ao individualismo do “self made man” e o segundo aboliu a tradição de que o trabalho era uma atividade vil, reservada a escravos ou aos extremamente pobres.
O individualismo e a dignificação do trabalho foram por si só as maiores revoluções já realizadas pela humanidade.
Mas não podemos esquecer que essas revoluções aconteceram onde o poder papal foi quebrado. Nos países em que a reforma protestante não penetrou, permaneceram crentes na hierarquia católica e no desprestigio do trabalho e do comércio. Essas revoluções se espalharam pelo mundo por osmose e lentamente,  forçando mudanças mais pela força do estrondoso sucesso do individualismo e da dignificação do trabalho. O resultado dessa brutal mudança foi uma imensa prosperidade da maior parte da população de alguns países, impensável nas sociedades rigidamente hierarquizadas e elitistas que perduraram após o fim da idade média. Essas nações, ao quebrarem simultaneamente o jugo papal e limitar drasticamente o poder da elite política, estabeleceram a liberdade de ação, a criatividade sem limites, a inventividade corajosa e a ousadia produtiva e comercial, coisa sem paralelo na história da humanidade.

Infelizmente os ventos da reforma protestante não sopraram nos países latinos, cujo domínio católico combinado com sistemas políticos centralizadores e totalitários, preservou, quase intocado - uma espécie de esqueleto mental pré-histórico - a aversão ao trabalho e a visão orgânica da sociedade. Nessa parte do mundo as sociedades são divididas entre esclarecidos e simplórios, uma concepção que exige que os esclarecidos comandem os simplórios,  onde o individualismo só é aceito entre as classes dos esclarecidos, restando aos simplórios a opção de aceitar, bovinamente, o papel de membro obediente do bando de baixo. Como trabalhar é considerado uma atividade degradante, torna-se necessário manter um grande contingente de pobres que, que sem escapatória, se sujeitam a trabalhar e a fazer calos nas mãos. Mesmo os movimentos esquerdistas não se livram dessa mentalidade, apenas a disfarçam com uma retórica de distribuição de riqueza, como se esta pudesse ser desmembrada do trabalho e do empreendimento. Pensam, não sei se ingenuamente ou com má intenção, que a riqueza pode ser distribuída indefinidamente. No final, acabam distribuindo somente a pobreza.